É com saudades que escrevo este texto. Estive (e que pena o verbo ser utilizado no passado) na ilha de São Miguel e, mais uma vez, a minha base foi o Azoris Royal Garden.

Recordo a primeira vez que cheguei aos Açores. Sabia (mesmo sem ter visto ao vivo) que era bonito. Sabia também, que um conjunto de ilhas no meio de um oceano e entre dois continentes, tinham que ser especiais. Só não esperava era esta ligação, quase umbilical, quase digna de quem lá vive e que passa algum tempo longe de casa. Na primeira vez que os meus pés tocaram em solo açoreano, também foi São Miguel a escolhida. Estava um dia cinzento de final de Verão. E não foi propriamente “amor à primeira vista”. Fui-me encantando, sobretudo pela paisagem. Noutras visitas, não andei numa busca desenfreada pelos locais mais bonitos (até porque, por aqui, pode tornar-se numa busca inglória, já o próximo lugar é (quase) sempre mais bonito que o último), encantei-me pela comida, fiz amigos, andei mais devagar, olhei mais devagar. Vivi, não visitei. Nesta última chegada a São Miguel, e aos Açores, também estava um dia cinzento. Recordo quando coloquei a cabeça fora do avião e senti o cheiro dos Açores. Era impossível ter sentido isto na primeira visita, quem sente este cheiro é quem gosta. Quem se sente de lá. Desci as escadas do avião, caminhei pela pista em direção ao terminal, como se não existisse ninguém eufórico ao meu lado por ter chegado pela primeira vez aos Açores. Para mim, estava um silêncio de pausa. Estava a entrar numa espécie de bolha. Isto só acontece em lugares especiais (ou mágicos, para alguns).

À minha espera tinha carro alugado da Ilha Verde (made in Açores). Primeiro grande conselho para quem chega pela primeira vez a São Miguel, aluguem um carro. Conduzi até ao centro de Ponta Delgada, até ao Azoris Royal Garden. Já aqui tinha ficado no ano passado, dias antes tinha ficado no “irmão” da ilha do Faial, o Azoris Faial Garden. Família portanto. Bem localizado, confortável, com um bonito jardim oriental bem no centro do hotel, bom restaurante, made in Açores e, sobretudo, feito, de coração, por gente muito simpática. Vivemos numa era digital, mas ainda são as pessoas a fazerem a diferença. Ao chegar ao Royal Garden, ser recebido com sorriso sincero da Sandra (minha anfitriã por aqui), é meio caminho andado para tudo correr bem. Tão simples. Ser recebido, genuinamente, como se recebe alguém em sua casa.

Deixo as malas no quarto e saio disparado em direção as apertadas ruas de Ponta Delgada. É quase assustadora, é familiaridade que sinto com este lugar. A sério, que já pensei se não teria vivido por ali numa outra vida. Não caminho em procura de alguma coisa, simplesmente caminho. Recordo as pessoas e os lugares por onde já passei. Ao terminar o afunilamento das ruas perpendiculares à marginal e ver o azul do mar, um voltar atrás no tempo é imediato. E comum a todas as outras ilhas. Imagino sempre piratas e aventureiros a chegarem a estas ilhas, uns perdidos no meio do gigante oceano e outros a meio caminho de um outro lugar qualquer. Tento disfarçar o meu riso durante a caminhada, aquele que toda a gente tem quando está com a cabeça noutro lugar. A minha estava algures, entre 1000 e 500 anos atrás. Acho que este voltar atrás, não é só pelo mar, e pela ilha, Ponta Delgada, tal como a Horta (na ilha do Faial) ou Velas (na ilha de São Jorge), tem algo de bastante genuíno. Para mim, as paredes da cidade não escondem histórias, contam histórias. Contam muitas histórias do passado, que colocam a minha cabeça a funcionar a mil e a sonhar, mas também contam histórias do presente, com projectos, a cheirar a novo, capazes de triunfar em qualquer lugar do mundo, falo em especial do Louvre Michaelense, perfeito para aquele chá e uma boa conversa de final de tarde, falo do bar Raíz, que emana bom gosto por tudo quanto é sítio e, falo também no legado do projeto Wlak & Talk, que já são tantas as obras de arte urbana espalhadas pela cidade, que já dão um belo roteiro. Tudo muito bom. Entretanto o dia cinzento e chuvoso, deu lugar um dia bonito e cheio de sol. Aquela alternância tipicamente açoreana.

Hora de almoço (sim, tinha de vir a comida). Algo que me fascina nos Açores (e em São Miguel), desde a primeira visita, é a diversidade (e qualidade) de produtos. Desde o ananás, à carne de vaca, ao atum, ainda passando pelos vinhos do Pico e pelo queijo de São Jorge. Entre muitos outros produtos, que farão muitos chefs tratar os Açores por paraíso. Felizmente, aliado à qualidade do produto existem casas capazes de o transformar em experiências à mesa. Começo é claro, pelo restaurante do Azoris, onde o seu envergonhado chef Inglês faz maravilhas. Já em Novembro último, quando estive no Azoris, tinha ficado encantado com a cozinha do hotel, e agora não voltou a facilitar. Muito bom. Arrisco a dizer, que será um dos melhores lugares para desfrutar do prazer da comida em Ponta Delgada. Mas existem outros clássicos por aqui. Como por exemplo, comer um bife no Alcides, comer uma bifana de atum e umas lapas grelhadas (a salivar, neste momento) na Tasca, comer uma tábua (gigante) de tapas, acompanhada de um branco do Pico, na Taberna Açor, ou, talvez o maior dos clássicos, comer uns chicharos fritos com feijão assado no Mané Cigano (esta tasca deveria ser património da humanidade). Tudo isto, não só me faz colar à mesa, como me faz admirar cada vez mais este pedaço de terra. Felizmente, esta gente é extremamente orgulhosa do seu património, e honra-o a cada refeição. 

Depois, existe o outro lado de São Miguel. Talvez até o mais conhecido ou afamado. O lado da paisagem arrebatadora, que nos encanta a olhar e nos faz sentir como os melhores fotógrafos do mundo, simplesmente por clicar. Muitas vezes digo que se colocarmos uma pedra em solo açoreano é bem capaz de sair de lá uma árvore. É lugar abençoado. As lagoas são temas inconformáveis e capazes de gerar discussões de horas, e sem conclusão à vista. “A mais bonita é a lagoa das 7 Cidades!”, diz um, “Nunca foste à lagoa do Fogo?!”, responde o outro, “E a lagoa das Furnas, não conta?”, mete o bedelho outro. Assunto para horas. Na verdade, são três lugares espantosos. Onde não me canso de voltar. Onde cada diferente miradouro oferece uma visão e experiência diferente, onde a conjugação das nuvens oferece um quadro melhor. Existem lugares que ficam favorecidos pela fotografia. Não é este o caso. Depois ainda existem pequenas lagoas, escondidas entre bosques, praias com ondas, praias com cascatas e praias que parecem um anfiteatro (Vila Franca do Campo). Existem ainda pequenos portos de pesca, que parecem pequenos segredos, com estradas dignas de filme para lá chegar, como a estrada que liga as Furnas à Ribeira Quente (parece que estamos no Jurassic Park). Existem também as paisagens singulares do Nordeste, que de tão genuíno, parece ainda nos ligar mais a este território singular. Já falei nos jardins do Parque Terra Nostra? Não?! Devem ser, simplesmente, um dos jardins mais bonitos do mundo (juro que não estou a exagerar). Bem, isto é São Miguel. Uma parte dos Açores.

Existem pessoas com as quais criamos uma maior empatia. Existem pessoas que, de uma forma natural, conseguem conquistar (quase sempre) empatia por parte de outros. Com destinos (locais) passa-se o mesmo. Existem destinos com os quais criamos uma empatia imediata, muitas vezes sem conseguirmos estabelecer uma razão e, existem destinos que de uma forma bastante natural, tornam a (conquista da) empatia como acontecimento padrão. Comigo, a empatia com São Miguel foi imediata e mais tarde percebi, que de uma forma bastante natural, é quase impossível não criar empatia com São Miguel. Muito confuso? Vou resumir. São Miguel, é uma espécie de paraíso, com o qual é (quase) impossível não criar empatia.

Não vejo a hora de voltar a este lugar, que já considero também como minha casa. Um dos meus lugares favoritos no mundo (e olhem que o mundo é grande 😉 ).

Obrigado Azoris Royal Garden por mais uma mão cheia de boas memórias.


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