Janeiro de Cima. Aldeia de xisto, com vista para o Zêzere, que pertence ao concelho do Fundão. A casa que ilustra a foto, já foi a minha casa por uns dias. Bem no centro da aldeia, bem pertinho da igreja, bem pertinho do café Cardoso, bem pertinho do mini-mercado, bem pertinho do restaurante Fiado. Sim, a aldeia é bem pequenina. Mas de um encanto sem tamanho. Já estou a dever uma visita.

Adoro lendas. Adoro viajar para onde a minha imaginação me transporta. Adoro fazer viagens ao passado e acrescentar personagens às histórias. Transcrevo uma das lendas que alimenta sempre as minhas visitas a este lugar:

“Cerca do ano de 1757-58, a população de Janeiro de Cima foi assolada por uma forte epidemia, devido à qual sucumbiu uma grande parte do número de habitantes de então. As mortes eram em tão grande escala e o medo que a epidemia se alastrasse era de tal ordem, que muitas vezes as pessoas ainda não haviam morrido completamente, e já as estavam a enterrar. Segundo a lenda a perda de vidas teria sido maior se não tivesse sido a divina interferência de S. Sebastião. A história que passou de geração em geração, é esta: Os Janeirenses ao verem dia a dia a sua população diminuir, decidiram recorrer a S. Sebastião advogado das pestes, guerras e epidemias, pedindo que os ajudasse. Como não tinham a imagem do mártir, pediram-na à aldeia vizinha, Janeiro de Baixo. Mas as habitantes de Janeiro de Baixo, receando que a epidemia se alastrasse para o outro lado do rio, não permitiram que os habitantes de Janeiro de Cima fossem à sua aldeia buscar o Santo. Na manhã seguinte, vieram eles mesmos, de madrugada, colocar o Santo na margem esquerda do rio, partindo imediatamente tal era o seu medo. Como o Santo afastou a peste, os Janeirenses cumpriram o que lhe haviam prometido: construíram-lhe uma capela e compraram uma imagem do Santo, celebrando no dia 20 de Janeiro de cada ano a sua festa. Nessa festa lá Janeirenses oferecem 100 pães e 5 litros de vinho começando-se a dádiva no cimo da aldeia e dando o volta completa. A festa ou tradição, mantém-se ainda hoje, oferecendo os Janeirenses este boda, pão e vinho, a quem se encontrar no local. Esta é uma das tradições mais pitorescas desta aldeia.”

in MOURA, José Carlos Duarte Contos, Mitos e Lendas da Beira Coimbra, A Mar Arte, 1996 , p.35

 

 

Esta história pertence ao projeto Retratos do Centro de Portugal. Vão ser construídos 365 retratos, 365 pequenas histórias, sobre toda a grande Região Centro de Portugal. Podem consultar todos os retratos aqui.

 

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