| CARLOS BERNARDO |

Escrevo este texto porque adoro sonhar. Adoro ser um sonhador, com uma característica muito particular, acreditar não me devo render ao “normal e pré-concebido” e acreditar que é possível ser aquilo que eu quiser ser (aqui não vale o só porque que sim, é preciso lutar e ir à luta). Depois, quando me perguntam qual a minha profissão, sinceramente e de sorriso atrapalhado, mas sem qualquer vergonha, não me consigo definir profissionalmente numa palavra. Será que sou um blogger? um escritor? um viajante? um influenciador? ou simplesmente um empresário? ou será que sou isto tudo (sou!)?!..por isso quando me perguntam, muitas vezes, e com algum orgulho, respondo: “a minha profissão é ser sonhador!” (é claro que as finanças ainda não tem este CAE, para eles sou outra coisa “normal”).

Ser sonhador, talvez num sentido mais técnico ser criativo, não digo que seja a minha melhor ou pior (se é que se pode qualificar assim) característica, mas talvez a característica que melhor me define. Como nada é por acaso e os genes também não explicam tudo, vou desembrulhar um pouca a minha vida. Como começou, onde estou e para onde quero ir.

Fui uma criança porreira e feliz, sempre adorei a minha aldeia, Rossio ao Sul do Tejo, com todos os seus defeitos e virtudes. Sou filho único e filho de uns pais fantásticos, que adoro de coração. Sou também neto único (dos avós do lado da mãe), e muito devo aos meus avós, com quem passei boa parte da minha infância, onde o amor sempre abundou e me ensinaram a apreciar e dar imenso valor a coisas simples da vida (acho que a profissão, aquela do sonhador, começou aqui). Comecei a jogar futebol federado aos 9 anos, no Pego, aldeia ao lado da minha. Que mais do que belas tardes desportivas, me deram amigos para a vida. Passei horas quase infinitas no ringue da minha terra, que me levou a construir mais uma rede de amizades, onde muito mais do que golos, me levou a ser diretor do clube da minha terra e do meu coração, o Clube Desportivo “Os Patos” (na minha terra, pela proximidade do rio Tejo, somos conhecidos como Patos Bravos),  desde os meus 15 anos até aos dias de hoje. No meio disso, ainda fui capitão da equipa de futsal dos Patos e ganhei uma Taça de Portugal no escalão de Juvenis (um dos feitos que mais me orgulho).

Não menos importante, tenho a mesma namorada desde os meus 18 anos (tenho 33, é uma questão de fazer as contas) e se ela não se fartar de mim 🙂 já não vou ter outra. Chama-se Liliana, é muito bonita e inteligente. Casámos o ano passado (em 2017), em mais um momento épico das nossas vidas (podem ler toda a história do nosso casamento, em segredo, aqui). O papel da Liliana na minha vida, mais do que o normal, e super importante, “amor da vida”, vai mais longe que isso. É ela que quando chego à Lua de tanto sonhar, me puxa de volta para a terra. Acho, sinceramente, que ela é a principal responsável por eu tornar alguns dos sonhos em realidade e por me poder rotular de “sonhador profissional” (aquela parte do isto dá trabalho, entra também aqui. Sem concretizar, um sonho é apenas um sonho). Todos os artistas têm uma musa e eu, felizmente, tenho a minha. (uma vez disse, perante uma plateia grande, que eu era Batman e ela era o Robin, e ela não gostou muito. Vou ficar-me pela musa de personalidade forte) Entretanto, em Agosto de 2018 nasce a nossa filha. A nossa querida Alice. Lindíssima e um doce de menina. Poderia estar aqui a escrever mil coisas, mas vou tentar resumir com a frase cliché mais verdadeira de sempre. É o melhor do mundo. 

Voltando atrás, com 19 anos entrei para o curso de Eng.Civil em Coimbra, ainda hoje não sei bem porquê (quer dizer a parte de ir para Coimbra sei 🙂 a parte da Eng. Civil é que não). Adorei a experiência Coimbra, que elevou o meu lado sonhador, conheci imensa gente boa e mais uma vez, ganhei amigos para a vida. Sempre vivi na esperança ou expectativa que o gosto pela Eng. Civil chegasse, mas nunca chegou. Desisti do curso na fase final. Quando comecei a ver que iria ser Engenheiro Civil, não gostei nada do que vi. Senti que aquilo não era para mim, que iria ser um mau profissional e iria detestar todos os dias do meu trabalho e que, muito provavelmente, iria ser infeliz. E isso não poderia acontecer. Literalmente, fugi de ser Engenheiro Civil. Tomei a mais difícil e mais importante decisão da minha vida (pelo menos, até qui). Alterou tudo e sempre que penso nisto, digo, com as mão viradas para o céu: “ainda bem que tive a coragem de tomar esta decisão” (quase com um alivio ligeiro de satisfação, porque, realmente, foi difícil e a decisão poderia ter sido outra). 

Sempre gostei muito de viajar. De viver experiências novas. Nunca tinha visto esta área como uma profissão (quando tinha 18 anos, ser profissional na área das viagens era pouco mais que trabalhar num hotel). Mas tomada a decisão de “fugir”, senti que não poderia voltar a falhar, que o tempo da minha vida estava a andar (e não estava ir para novo). Não poderia escolher ser uma coisa que gostasse mais ou menos, tinha de arriscar tudo naquilo que mais gostava e naquilo que poderia ser melhor. Investi tudo nas viagens, mesmo sem saber bem o que iria sair dali, sabia que era por ali. Sabia que queria fazer algo diferente, diferente do que já existia. Sentia, na altura, que tinha um caminho a percorrer. Apesar de não ter concluído a Licenciatura, concorri a um Mestrado em Desenvolvimento de Produtos de Turismo Cultural no Politécnico em Tomar. Como estava na fase final da Licenciatura, entrei com o compromisso de acabar a Licenciatura antes de entrar no ano da tese de Mestrado. Na verdade, o que eu queria não era um papel a dizer que era Mestre, queria era saber mais (isto das omeletes sem ovos não existe, e independentemente da forma e do onde, a formação e o conhecimento são fundamentais) e colocar-me à prova. Superou todas as expectativas. Fiz o primeiro ano de Mestrado, ou seja, toda a parte curricular. E correu tão bem, que não já voltei mais para Coimbra e coloquei o derradeiro ponto final na Eng. Civil. Como é obvio, não concluí o Mestrado, mas o meu objectivo ali, estava mais que cumprido.

Foi neste momento, algures em 2012, que começou a verdadeira viagem.

Comecei a viajar cada vez mais, sobretudo em Portugal, sobretudo de bicicleta, sozinho e de mochila às costas. Falei com imensas pessoas (desde pastores, a padeiros e taberneiros), bebi vinho tinto nas mais remotas tabernas, jantei à mesa com famílias que conheci no dia, apanhei chuva, frio, vento e calor, mergulhei nas águas de algumas das praias mais bonitas que já vi, saltei de cascatas, fiz surf (sem ter jeito nenhum para a coisa), comi comidas incríveis, quase que fui atropelado por uma vaca e fiz muitas outras coisas relacionadas com a palavra viver. Queria conhecer tudo (ainda não conheci tudo, nunca vou conhecer tudo, mas nunca vou parar de tentar conhecer tudo) e cada vez sentia maior paixão e admiração pelo meu país, tão pequeno, tão diverso e tão particular. Criei um projecto chamado O Meu Escritório é lá Fora!. Para cortar de vez as poucas amarras que ainda me prendiam à Eng. Civil e sobretudo na maneira como os outros me viam (não era o mais importante, mas acho que resultou). Queria ter um escritório lá fora, fora de um gabinete que para mim seria aborrecido, queria ser senhor do meu tempo e lutar pelos meus sonhos. Desse projeto sonhador nasceu um blog, no Verão de 2013, como o mesmo nome. Nunca, naquela altura, pensei que pudesse ter a projeção que tem hoje. No inicio, sinceramente, aquilo nem era bem um blog, era um site (ou uma coisa) onde de tempos a tempos colocava uma história de uma aventura ou viagem minha. Demorou cerca de um ano a ganhar forma de blog e a seguir o caminho que hoje muitos conhecem. Mais do que um blog, O Meu Escritório é lá Fora!, transformou-se numa marca e, sobretudo numa ideia. Para mim, mais uma vez, muito mais do que um blog, O Meu Escritório é lá Fora! acabou por se transformar num projeto de vida, numa espécie de plataforma de realização de sonhos. Para mim, é uma folha em branco, que me permite criar. Estamos tão ligados que, enquanto eu viver, acredito que o Meu Escritório é lá Fora! também vai existir. 

O blog foi crescendo, o interesse sobre ele e sobre mim foi aumentando. Estava a seguir o meu caminho. No final de 2014, achei que era tempo de ter o primeiro emprego na área do turismo. Na altura estava em ebulição, no que toca a ideias, não com maturidade que tenho hoje, mas sentia que poderia mudar o mundo (os sonhadores são assim). Sentia que tinha muito para dar e muito poucas qualificações para apresentar. Ainda comecei a tentar preencher os espaços vazios de um normal currículo, em formato standard. Não tinha nada para escrever. Mas continuava a considerar-me um bom candidato. Senti que me tinha de “vender” de uma forma diferente. Ser mais arrojado e, sobretudo, mostrar que era arrojado. Resolvi sair dos modelos convencionais e mostrar que quem me contratasse, estaria a contratar alguém diferente. Fiz um video a falar sobre mim. Uma espécie de video-currículo, muito artesanal, a falar sobre o que tinha feito e, sobretudo, do que queria fazer. Publiquei-o numa 3a feira à noite. Na 4a de manhã já tinha três propostas de trabalho, na 4a feira à noite já tinha quase aceite uma, na 2a feira seguinte fui conhecer pessoalmente o dono da empresa e passado uma semana já lá estava a trabalhar. Uma agência de viagens e consultora de turismo de natureza, especializada em viagens a pé e de bicicleta. Estive lá dois anos. Sempre soube que não iria trabalhar ali para sempre. Era apenas uma etapa. Quase como uma última etapa na minha formação antes de avançar para a minha “viagem” em solitário. No dia que entrei, disse que iria sair quando me sentisse pronto para avançar sozinho. Quando esse dia chegou, não esperei mais um dia. Despedi-me em 2016.

Sim, é isso mesmo, despedi-me para trabalhar a tempo inteiro n’O Meu Escritório é lá Fora! (só ao nível de um sonhador profissional, certo?)

Em 2018, e passados quase dois anos a viver como “sonhador profissional” nesse mundo encantado que é O Meu Escritório, estou feliz. Não é o mais importante e melhor resultado de todos? Adoro de coração o que faço. Tanto, que tenho de limitar-me para não trabalhar mais. Felizmente, o meu trabalho tem sido reconhecido e nestes últimos dois anos tenho sido consagrado com imensas distinções e, sobretudo, consagrado com imensas propostas de trabalho, que me permitem alimentar cada vez mais todos os sonhos que tenho e que aqueles que ainda estão por vir. Hoje, O Meu Escritório, é uma empresa formada, uma marca registada e tem uma estrutura profissional. No momento, o meu trabalho enquanto criativo, escritor e fotografo, está a levantar voo no blog e sinto-me, como diria um qualquer jogador de futebol, na melhor forma de sempre. Que nunca me faltem os sonhos, nem a vontade de os concretizar. 

Ah!! O meu nome é Carlos Bernardo, muitos tratam-me por Carlitos. Sou o único filho da Ana e do Carlos, marido da Liliana e pai da Alice. 

…em constante atualização (sim, já deve estar desatualizado)

carlosbernardo@omeuescritorioelafora.pt