Aldeias Históricas de Portugal, Portugal, Travel

3 Road Trips para fazer em Portugal

Porque a vida não é só feita de viagens a pé ou de bicicleta, existe um mundo novo para descobrir ao virar de cada esquina (esta frase quase que dava para uma letra de uma rock ballad, “um mundo novo para descobrir ao virar de cada esquina”, muito bom! 😉 ). E esta coisa das road trips, ou seja, percorrer de carro, caravana ou pão de forma (o top das viagens românticas), um destino ou região com características particulares para ser feito num qualquer (qualquer, não é bem assim, se for com estilo, melhor 😉 ) veículo a motor. Parece-me ser a versão ideal para quem quer viajar em família, atingindo os pícaros para quem tem filhos. Como para lá caminho (e cada vez tenho mais dores nas costas), tenho de começar a pensar em diferentes formas de viajar.

Não é por acaso, que vemos constantemente, pelas estradas de Portugal, caravanas, carrinhas e afins, com matrícula estrangeira. Esta malta da Holanda, França e Alemanha (por exemplo), não é parva, e é bastante viajada. O nosso país, entre outras maravilhas, também é excelente para road trips. Apesar de pequeno, existem milhentas regiões diferentes entre si por descobrir, e estradas que atravessam paisagens dignas de filme. Se temos esta maravilha aqui à porta, basta ligar o carro e partir. Não digo para deixarem de sonhar com a Route 66 ou a Costa Amalfitana. Mas vale a pena experimentar e conhecer o que temos ao pé da nossa porta. Quando chegarem da viagem, digam-me se não valeu a pena (se não baterem com carro a fazer marcha atrás, já sei a resposta 😉 ).

Existem muitas mais hipóteses, mas vou sugerir 5 que aparecem de imediato na minha cabeça. Regras, vale tudo menos: andar depressa, seguir por vias rápidas e dormir duas noites no mesmo local.

#ESTRADA NACIONAL 2

Esta é clara. A nossa Route 66 e terceira maior estrada do mundo (é verdade). Liga Chaves a Faro, ou seja, atravessa Portugal de Norte a Sul. Se alguém me perguntar, “quero conhecer Portugal, como faço?” Eu respondo, “faz a Estrada Nacional 2!” 😉

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A (minha) viagem:

1º dia – Chaves-Viseu: começa por fazer uma travessia pelas paisagens inóspitas de Trás-os-Montes, passando pelas termas do Vidago e pela cidade de Vila Real. Do nada, “desagua” nas águas e vinhas do Douro. É ihimpossível não ficar de boca aberta. Vai atravessar o Douro em Peso da Régua e, provavelmente, será um local para almoçar (cuidado com o Vinho do Porto, está a conduzir 😉 ). Vai deixar a região do Douro e entra na região do Dão. Vai pensar que está numa viagem dedicada ao vinho e vinha (na verdade, até poderá ser).  Num ápice chega à bonita e interessante cidade de Viseu (com tanto para descobrir).

2º dia – Viseu-Aldeias de Xisto: vai sair de Viseu em direção à barragem da Agueira e depois disso entra em território das Aldeias de Xisto. Aqui o conselho é seguir pela N2, mas ir saindo e voltando à estrada, com o objetivo de conhecer as belas aldeias da Serra da Lousã e vale do Zêzere. A experiência fica completa com um jantar tradicional e dormida num típico turismo rural da região.

3º dia – Aldeias de Xisto-Montargil: vai atravessar o bonito vale do Zêzere e para trás deixa as regiões de floresta e desniveladas. Vai fazer uma curta, mas bonita, entrada no Ribatejo e fazer a travessia do Tejo, na (minha) cidade de Abrantes. A partir daqui o terreno é plano, e os espaços fechados da floresta, vão dar lugar a espaços abertos, de longo horizonte, da vinha e montado alentejano. 30km a Sul de Abrantes, entra o Alentejo, com a bonita albufeira de Montargil a dar-lhe as boa vindas. Aí será o local de dormida.

4º dia – Montargil-Ferreira do Alentejo: vai entrar noutra dimensão, onde o tempo parece que passa mais devagar. Paisagem larga de montado, apenas interrompida por zonas de pastagem, vinha e olival. Por aqui, a comida é de comer e chorar por mais.

5º dia – Ferreira do Alentejo-Faro: último dia de viagem. Passa pelas minas de Aljustrel, em direção a Almodôvar, último pedaço de terra alentejano desta viagem, depois disso entre no Algarve. Não pense que vai ver logo o mar. Vai entrar na interessante e (para muitos) desconhecida região do Barrocal Algarvio. Mas o mar está já ali ao lado, e não existe melhor local para terminar épica viagem. Faro e sua Ria Formosa, oferecerem o que para mim, é o melhor do Algarve. Não deixe de conhecer as lindíssimas praias das ilhas da Ria Formosa, visite os mercados de peixe locais, e claro, não pode faltar bom peixe e marisco no prato. 

#ALDEIAS HISTÓRICAS

Um território mágico. Interior de Portugal, zona desconhecida para muitos, de uma riqueza incrível. São 12 aldeias “oficiais” e muitas outras igualmente interessantes. As propostas de viagem podem ser muitas e variadas, dependendo sobretudo do ponto de partida (que não existe um melhor que outro) e dos dias disponíveis para a viagem. Vou considerar um ponto de partida a Sul e 4 dias de viagem (um fim de semana alargado).

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A (minha) viagem:

1º dia – Idanha-a-Velha/Monsanto/Castelo Novo/Piodão: As aldeias de Idanha-a-Velha e Monsanto estão quase coladas, e ainda existe a bonita aldeia de Penha Garcia por descobrir. Este seria o plano ideal para a manhã, com um almoço na singular aldeia de Monsanto. Após um ligeiro passeio a pé pelas ruas de Monsanto para digerir o almoço, será tempo de seguir para a aldeia de Piodão. A aldeia de Piodão, é a única (das 12 aldeias) em xisto e fica na Serra do Açor, na “porta” Sul da Serra da Estrela. A aldeia parece um mini presépio. Será o local ideal para jantar e dormir.

2º dia – Linhares da Beira/Belmonte/Sortelha: Será dia de explorar o território da Serra da Estrela. Poderá optar por viajar pelo interior da Serra, desde Piodão até Linhares ou pela base Oeste da Serra, passando por Seia e Gouveia. Um ponto obrigatório, é na viagem entre Linhares e Belmonte, seguir pelo interior da Serra até à vila de Manteigas e daí seguir para Belmonte. Pode (e deve) fazer um ligeiro desvio (em Manteigas) e fazer a estrada do Vale Glaciar  até à nascente do rio Zêzere. Provavelmente a minha estrada favorita. Em Belmonte tem muito para explorar, desde as ligações judaicas até ao passado de Pedro Álvares Cabral . Nada melhor que terminar o dia em Sortelha. Aldeia que parece um cenário de filme. É tempo de dar “corda” à máquina fotográfica, vai querer tirar uma foto em cada canto. Uma nota já para o próximo dia, acorde cedo e assista ao nascer do sol na porta (sim, a aldeia tem portas 😉 ) Este da aldeia.

3º dia – Castelo Mendo/Almeida/Trancoso: Siga em direção ao Sabugal, onde terá o primeiro contacto com o rio Côa, nascido na vizinha Serra da Malcata. De Sabugal irá seguir para a acastelada aldeia de Castelo Mendo. Deixe o carro na porta da aldeia e suba a pé até ao ponto mais alto. A vista vai valer a pena. Depois será tempo de seguir para fortificada vila de Almeida, tendo a particularidade de, vila, estar inserida dentro de uma muralha em forma de estrela. Aqui, vai estar a dois passos de Espanha. A última paragem do dia de hoje será em Trancoso, a Oeste de Almeida. Siga de Almeida para Trancoso, por Pinhel, local também interessante. Já em Trancoso, o plano será perder-se pelas estreitas ruas do centro histórico da vila.

4º dia – Figueira de Castelo Rodrigo/Marialva: O último dia será dedicado às duas aldeias mais a Norte e todo o seu território envolvente. Para além da visita às bonitas aldeias, não pode perder uma visita ao Vale do Côa (sim, o das pinturas rupestres) e ao rio Douro (o ideal seria deixar o carro por instantes, e fazer um passeio de barco, entre as bonitas vinhas do Douro). Para terminar em beleza, dormir nas Casas do Côro, em Marialva, seria uma bela versão de “a cereja no topo do bolo”.

#COSTA VICENTINA

O mais correto será dizer uma road trip pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Começar viagem em Sines (ponto mais a Norte) e seguir até Sagres (ponto mais a Sul). Aqui o plano será seguir para Sul, o mais devagar que conseguir. Vou traçar um plano para 3 dias, mas se puder ficar um mês e levar uma prancha de surf, tanto melhor. 😉

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1º dia – Sines-Vila Nova de Milfontes: Se fizer a viagem no Verão, o objetivo poderá ser bater o record de mergulhos em praias diferentes no mesmo dia. O caminho entre Sines e Porto Covo será sempre com o mar do lado direito. Abra o vidro do carro (com frio ou calor), a experiência vai ser melhor, certamente vai-se rir e perceber porque o mandei para essa estrada. Porto Covo é um bom local para almoçar, principalmente, porque a vila é quase perfeita, para o chamado passeio da digestão. Entre Porto Covo e Vila Nova de Milfontes, a estrada não é tão bonita, mas não pode perder o desvio até à famosa ilha do Pessegueiro. Não vale a pena lá ir, mas dá sempre uma foto bonita. Em Vila Nova de Milfontes, recomendação máxima, ir jantar ao restaurante Porto das Barcas e assistir aí ao pôr do sol. Top.

2º dia – Vila Nova de Milfontes-Odeceixe: Pouco depois de sair de VN Milfontes, tem de fazer uma visita ao Cabo Sardão e aí vai ter umas vistas de cortar a respiração (vai também ver o mais espetacular campo de futebol que conheço, quando chegar lá vai perceber o porquê 😉 ). Logo a seguir, outra recomendação máxima, parar no Porto das Barcas. Porto natural que merece uma balde cheio de fotos de todos os ângulos, até aconselho a almoçar por aí. Peixe mais fresco é difícil. Depois é seguir em direção a Zambujeira do Mar. A partir daqui, a recomendação é simples. Virar sempre que diz praia. Querer dizer, elas são tantas que não conseguir ver todas, Mas são todas tão bonitas que torna quase impossível a tarefa da recomendação (o ideal era mesmo ter o tal mês em vez dos 3 dias). Em Odeceixe, vai seguir o rumo da ribeira de Seixe a entrar no mar, que faz da praia de Odeceixe um autêntico postal. Pode não parecer, mas já vai estar no Algarve.

3º dia – Odeceixe-Sagres: Carriagem, Amoreira,  Arrifana, Carrapateira, Amado, tudo paragens obrigatórias. Para terminar em beleza, no Farol do Cabo São Vicente. Será sem dúvida um final épico. Será mais do aconselhado (aquela coisa do obrigatório) ficar para o pôr do sol (diria que este local é um verdadeiro anfiteatro de pôr do sol, nem sei como ainda não tem bilhete).

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