O Tejo, o rio Tejo, rio que passa quase à porta de casa dos meus pais. Tão perto da porta que no passado já chegou a entrar. Existe uma espécie de laço sentido e familiar entre mim e o Tejo. Com o Zêzere, o rio Zêzere, o laço não é tão forte, mas existe um laço. Quase como aquele primo que não vemos muitas vezes, mas de quem gostamos muito. 

O rio Zêzere nasce e corre os primeiros quilómetros, desenfreado, no belíssimo Vale Glaciar, na Serra da Estrela. É o segundo maior rio, em exclusivo, do país, com cerca de 200km de curso de água entre a nascente e a foz. É muito frequente ouvirem-me (ou lerem) a falar sobre como o Zêzere, a sua nascente e o seu vale, são das coisas mais extraordinárias que o meu (nosso) país tem para oferecer. Até fico arrepiado de viajar pelas paisagens deste rio, mesmo que a viagem seja feita apenas de memórias. E que boas são as minhas memórias, tão boas que até consigo sentir cheios e (quase) sentir o vento no rosto. 

Se na fórmula Zêzere juntarmos a palavra Tejo, existe um nome que tem que ser falado: Constância. Essa bonita vila do Médio Tejo, que tem uma particularidade única. Nas suas terras passam dois rios, o Zêzere e o Tejo. Constância é a foz do Zêzere e o lugar especial onde ele se encontra com o Tejo, seguindo juntos a partir daí até à região de Lisboa (a foz do Tejo). Se o nosso pensamento for abstrato e imaginarmos o Tejo e o Zêzere como pessoas, imaginem as conversas e histórias partilhadas entre estes dois gigantes depósitos de sabedoria ancestral. 

Constância tem na sua história marcos e ligações interessantes. A mais conhecida ligação talvez seja a conexão da vila ao poeta Luís Vaz de Camões. Ainda podemos juntar múltiplos imbróglios ligados às invasões francesas ou paradas militares com o objetivo de motivar unidades militares antes da partida para a 1a Grande Guerra Mundial. Também poderia falar de gastronomia e de como se come bem por Constância. Mas entre todas as histórias e factos, agitados e marcantes, falarem, para mim, de Constância é como disparem canhões de sinónimos da palavra tranquilidade. Parece que o meu relógio se desliga automaticamente por ali. Talvez a culpa desse facto seja do Zêzere, e do Tejo, e do seu ponto de encontro.

 

Esta história pertence ao projeto Retratos do Centro de Portugal. Vão ser construídos 365 retratos, 365 pequenas histórias, sobre toda a grande Região Centro de Portugal. Podem consultar todos os retratos aqui.

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