Cheguei a Évora, e ao Vila Galé, numa tarde solarenga de final de Verão. Cheguei com a Liliana, vindos do Norte e caminho do Sul (sim, do Algarve). Sim, Évora funcionou como uma espécie de entreposto entre a tranquilidade do interior Norte e a agitação veraneante do Algarve. Decidimos ficar dois dias em Évora e escolhemos o Vila Galé para nos acolher. Em boa hora o fizemos.

O Vila Galé fica bem perto de uma das portas de entrada para o centro histórico. Pelo que estava cumprido o primeiro pré-requisito. Não precisar do carro para nada (e não existir problemas em estacionar). Enquanto hotel, é um Vila Galé. O nome diz muito e neste caso diz que fazem bem. Tipo relógio (com pilha), sem falhar. Destaco a bonita piscina exterior e o conforto (essencial para belas sestas, que o calor e os carregados almoços alentejanos obrigam). Assim foi o nosso ponto de partida e quartel general, para mais uma descoberta da cidade de Évora.

Muitas vezes já me confessei um amante do Alentejo. Sinto-me bem por ali. Algo que tem tanto de genuíno como de sensorial. Gosto dos cheiros, das pessoas, da comida, do vinho, do pôr do sol e sobretudo da maneira como o tempo se move. Não consigo bem explicar, é diferente. Évora, apesar de ser provavelmente a mais cosmopolita cidade alentejana, não cede à tentação ocidental e não perde as suas raízes mais profundas. Acho que as raízes, com uma base genuína perfeitamente consolidada, fazem com que cada experiência pela cidade possa ser única. As paredes são as mesmas, mas talvez o nosso olhar, a cada visita, as consiga ver de forma diferente. Foi o que aconteceu nesta pequena visita. Não consigo definir um número exacto, mas com certeza, já foram largas dezenas de vezes que visitei esta cidade. Desta vez, ofereceu-me, mais uma vez, uma diferente perspectiva.

Existem actividades que tem de ser feitas pelo menos uma vez. Visitar a Capela dos Ossos, a Sé ou beber um café na Praça do Giraldo. Mas para quem pensa que Évora é só isso, está completamente enganado. Existe uma Évora secreta, bem debaixo dos nossos olhos, à espera de ser descoberta. A Évora das ruas desertas, dos quintais dos vizinhos, dos pormenores dos azulejos das paredes e dos arranjos das portas. Uma Évora onde se ouve as vizinhas a trocarem receitas e os velhos barbeiros a cortarem cabelo à escovinha e a discutir o penalty do fim de semana anterior. Uma Évora sem mapa, sem lista de lugares para picar o ponto e sem tempo. Foi essa Évora que encontrámos nesta visita. E que deliciosa pode ser. É claro que não perdemos a boa comida. Comemos bem. Comemos migas, açorda e entrecosto. Também comemos bom pão e bom queijo. Claro que sempre quantidades industriais. No Alentejo é assim. Também é claro que não bebemos vinho do Douro, bebemos vinhos da Cartuxa, de Borba e de Estremoz. Tinto. Nem fazia sentido de outra maneira.

Estas visitas, sem mapa, dão espaço a mais risos, mais conversas e pensamentos sobre nós, consequentemente vamo-nos descobrindo cada vez mais. Isto é o grande ouro de viajar. Muitas vezes não são precisos 15 dias, nem ir para a China. Basta dois dias em Évora para ser muito bom. Eu e a Liliana gostámos.

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Vila Galé Évora ★ ★ ★ ★

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