Descobri há uns anos atrás que viajar de bicicleta é das melhores coisas do Mundo (no meu Mundo 😉 ). Viajar de bicicleta é levar com o vento na cara, é sentir os cheiros, é uma sensação de liberdade incrível, é nem ir muito depressa (de carro), nem ir muito devagar (a pé), é também um desafio físico (maior ou menor), é sentires-te especial, já que todos (quase todos)  te vão chamar maluco por viajares assim, é descobrires lugares fantásticos (que não descobririas de outra forma), é ecológico, é fácil, não é preciso ter a condição física do Alberto Contador, é relativamente barato (ponto não obrigatório, depende de cada um). É sobretudo diferente de outras formas de viajar (não necessariamente melhor) e também diferente de simplesmente andar de bicicleta. Ah! E faz bem ao coração (a saúde de uma maneira geral agradece 😉 ).

Fruto da minha experiência, de alguns milhares de quilômetros a viajar de bicicleta, apresento-vos alguns pontos que todos os que viajam (ou querem viajar) de bicicleta deverão saber.

#A BICICLETA

Cada vez mais as principais marcas de bicicletas investem nesta vertente, existido já bicicletas dedicadas em exclusivo para viajantes. Na hora da escolha da bicicleta, tem de ter em conta o tipo de viagem que irá fazer, sobretudo por que terrenos irá andar e os quilômetros (dias em viagem) que irá fazer. 

Para uma viagem de cicloturismo normal, sem terrenos mais exigentes e para um mínimo de uma semana de viagem, aconselho:

  • Quadro da bicicleta em alumínio (de preferência bom). Não é o mais leve, mas é dos mais fiáveis e sobretudo dos mais fáceis de arranjar (caso exista algum problema durante a viagem, pode não ser preciso um quadro novo, vale soldar 😉 ) ou adaptar às necessidades da viagem (vale furar, para colocar um suporte extra).
  • Roda 28” (tamanho das bicicletas de estrada) é o ideal para rolar estrada fora. (se estiver bem preparado fisicamente e habituado à bicicleta, pode arriscar na roda 29″, ligeiramente mais pesada, mas vai fazê-lo/a “voar” na estrada).
  • Pneu com rasto misto, nem muito liso, nem muito pitonado (pode fazer uma incursão por terra batida e diminui o risco de furo). Estilo pneu de ciclocross.
  • Suporte de alforge atrás (ter em atenção se a bicicleta tem travões de disco ou não, o encaixe é diferente) sempre (dependo da distância da viagem, poderá colocar suporte à frente). Já fiz muitas viagem de mochila às costas e é quase criminoso para as costas. Depende sempre dos dias de viagem e do número de quilômetros de viagem, mas a levar mochila às costas que seja, no máximo dos máximos, de 20l de capacidade (e sem “pedras” lá dentro).
  • Luz e refletor. Mesmo que o vosso plano não passe (e bem) por andar à noite, pode acontecer um imprevisto e a coisa demorar mais um pouco. Mais do que para ver a estrada, é importante para nos verem a nós.
  • Alforge (as malas de viagem para bicicleta). Existem várias opções. Dois concelhos: ter a certeza que é compatível com o suporte; levar uma capa para proteger as malas em caso de chuva (eu levo ainda uns sacos pretos do lixo, para forrar por dentro (já viajei alguns dias a chover torrencialmente, é eficaz)).
  • Pedal de encaixe. Sim ou não? Depende de cada um (e da experiência de cada um, no uso dos mesmos). Eu uso (e não quero outra coisa).Asset_271663

Trek 920

#O QUE LEVAR (vestido e na mala)

Primeiro ponto e mais importante. Levar apenas o essencial (aka o menos possível). 😉 

  • Roupa de viagem. O mais leve e confortável possível. Ter em atenção para onde vai (e tempo que vai lá estar). Deverá levar roupa a dobrar, uma para utilizar e outra, para mesma função, como backup (viajo 15 dias com dois conjuntos de roupa!? Sim, água e sabão com força, ao final do dia 😉 ). Duas peças essenciais: um calção bom (já que o número de horas em cima da bicicleta poderá ser grande, e aquilo (o selim) não é propriamente um sofá); um casaco impermeável (não vá o diabo fazer das dele. Um daqueles leves e dobráveis, que cabe em qualquer bolso). 
  • Capacete. Sempre. Pode estragar o penteado, mas pode salvar uma vida.
  • Primeiros socorros básicos e higiene pessoal (não vou dizer o mais básico). Essencial. Eu normalmente levo: Betadine; Halibut; pensos; ligadura; Voltaren (comprimidos); Benuron; protetor solar; protetor para lábios (já ia ficando sem os meus 😉 derretidos pelo Sol); papel higiénico (dá sempre jeito); hidratante.
  • Água. Regra simples: nunca deixar acabar a água (também não vale levar um garrafão de 5l de água, vá comprando pelo caminho)
  • Comida. Normalmente apenas levo frutos secos. Resultam bem comigo e não derretem com tempo quente.
  • Ferramentas básicas. Quase tão importante como as ferramentas, é saber por onde vai andar, e ver que lojas/oficinas existem por lá. As ferramentas básicas que levo sempre: câmara de ar; conjunto de chaves (multi-kit); desmontas; um canivete (dá sempre jeito, nem que seja para cortar uma laranja); óleo para corrente; bomba de ar; fita cola (uma que cole de verdade 😉 ).
  • Mapa/GPS. Normalmente levo GPS (utilizar o GPS do telemóvel apenas para pequenas pesquisas) e um papel com indicações chave.
  • Carregador portátil. Para carregar telemóveis e GPS. Uma espécie de salva vidas.
  • Telemóvel. Toda a gente conhece a utilidade deste bicho. Em último caso, vale uma chamada “venham-me buscar!” 😉 .
  • Documentos pessoais e dinheiro. (esta era fácil de adivinhar)

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Garmin Explore 1000

#PLANEAR

Aqui não existe nenhuma formula mágica. Depende de cada um, do que quer ver, do tempo que tem, da condição física, etc. Eu normalmente aproveito o dia ao máximo para pedalar, quase de Sol a Sol, sempre com muitas paragens pelo meio. Tento não colocar duas etapas mais exigentes em dias seguidos, porque o objetivo é viajar e não sofrer.

Normalmente escolho os percursos e estradas no Google Maps e quando é preciso traçar o percurso, para transferir para o GPS, utilizo o Google Earth. São os dois grátis e bastante fáceis de utilizar. 

Tenho sempre em conta possíveis locais de paragem (para visitar, para comer, para comprar água, para descansar) e em caso emergência (saúde e avaria).

No caso viajar de bicicleta no estrangeiro, aconselho um seguro de viagem especifico, que pode cobrir sobretudo uma assistência médica mais cuidada (o material que se lixe 😉 , mas também pode ficar incluído). 

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#TRANSPORTE DE BICICLETA

Muitas vezes (ou quase todas) não começamos a viagem à porta de casa e vice-versa. A não ser que alguma alma caridosa nos vá lá levar (ao viajante e bicicleta), temos de chegar ao local de partida, ou voltar para casa. 

Primeiro que tudo, como acondicionar a bicicleta: existem duas hipóteses, ou caixa em cartão (mais barata, basta pedir numa loja de bicicletas, que quase de certeza lhe oferecem. Mas também, uma opção menos segura) ou uma mala de transporte (mais cara e mais segura). Existe também uma desvantagem na mala de transporte, como é cara, não a vai deixar para trás, assim que chegar ao local tem de a enviar para o local de chegada ou para casa. No caso da caixa de cartão, é lixo com ela 😉 . Pelo que, apenas se viajar de avião e para fazer uma rota circular, aconselho a mala de transporte (apesar de ser impecável).

Agora, como fazer chegar a bicicleta ao ponto de partida (aplica-se o mesmo para a chegada):

  • De comboio. Infelizmente a maior parte dos comboios não são Bike Friendly. Pelo que, aconselho sempre a contatar a empresa em questão, para não existir problemas de última hora. Caso viaje com a mala de transporte, à partida este problema fica resolvido.
  • De avião. Existe uma taxa suplementar, que varia de companhia para companhia, para transportar a bicicleta. Pelo que convém analisar este ponto. Aqui aconselho sempre a mala de transporte, nem que a tenha de deixar no aeroporto.
  • Transportadora. Pode ser uma boa hipótese. Aqui vai é separado da bicicleta. É como diz o outro: “é questão de fazer as contas!” 😉

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EVOC Travel Bag

#DESTINOS

Basta existir uma estrada ou um trilho e temos um destino. 😉

Deixo-vos o meu relato de algumas viagens que fiz de bicicleta:

Para viajar em Portugal: 5 Grandes Rotas em Portugal

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