Os meu restaurantes favoritos de 2017. Sim, é o mesmo que entrar a correr num campo minado. 

Esta coisa que qualificar algo, é sempre muito complicado. Ainda para mais, quando a base para elaborar esta lista meritória, está diretamente relacionada com sensações e com momentos. Momentos sim, porque não estou aqui para avaliar unicamente a comida, um prato, um menu ou uma refeição. Estou a qualificar toda a experiência que aquele momento, em determinado restaurante, me proporcionou. É claro que a comida é o elemento chave, mas sobretudo, estou aqui para premiar os lugares que me deixaram as melhores memórias. E as experiências, viagens e momentos à mesa, para mim, são isso mesmo, cultivo de boas memórias.

Para 2017, tenho uma lista de 7 restaurantes. Vão desde uma pequena tasca de mesas corridas, a restaurante candidato a uma estrela Michelin. Todos em Portugal. De Norte a Sul, e um nos Açores. Não vou colocar aqui nenhum da minha terra, porque me são muito familiares. Nem consigo avaliar bem.  Ao colocá-los aqui, também teria de nomear a sala de jantar da minha Mãe. 

Ora bem, os meus restaurantes favoritos de 2017 (sem ordem preferencial, vou colocar pela ordem que os vivi):

#TINTOS E PETISCOS, VAIAMONTE | ALENTEJO

É inacreditável. Fica numa pequena povoação do Alto Alentejo, a cerca de 10km de Monforte. É um One Man Show. Só uma pessoa trabalha lá, pelo menos no dia que lá fui, foi assim. O dono do espaço, tem o fogão atrás do balcão e com uma calma inacreditável, serve as pessoas (e fala com elas e vai às mesas), ao mesmo tempo que a comida é cozinhada. Só por isto, já é o máximo. Mas depois de a comida chegar à mesa, é de ir aos ceús. Este lugar e esta experiência, seriam sempre momentos extraordinários, mas, aconteceu no dia em que casei com a minha Liliana. Sim, aquele casamento em segredo, onde andámos sozinhos o dia todo. Acho que foi o destino que no fez entrar neste restaurante naquele dia. Juro que nunca tinha ouvido falar. Apenas tivemos fome quando passámos por Vaiamonte. Combinado, não teria sido melhor. Talvez no primeiro aniversário (do casamento) passe por lá outra vez.

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#BASILII, TORRE PALMA WINE HOTEL | ALENTEJO

O Torre de Palma, é um lugar que vai ficar para sempre na minha memória. Será muitas vezes mencionado em histórias à lareira com os meus netos. Foi lá que passei boa parte do dia em que me casei com a Liliana. E a razão disso ter acontecido (ter passado lá o dia especial), é porque este lugar roça a perfeição. Plantado num lugar lindíssimo, cheio de história, o hotel está muito bem conseguido, as pessoas são muito simpáticas, e tanto eu como a Liliana, sentimo-nos perfeitamente lá. Arrisco a dizer, que é o meu hotel favorito. Não conseguindo fugir a todo este sentimento, mas tentando alguma isenção, tem um restaurante extraordinário. Não estivemos lá no dia do casamento, estivemos cerca de um mês depois. Fabuloso, inventivo e com um terrível bom ambiente, que nos faz não querer sair de lá. É inevitável resultarem boas conversas e boas memórias, à volta deste lugar. Não vejo a hora de voltar.

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#MERCEARIA GADANHA, ESTREMOZ | ALENTEJO

Para mim, já é um clássico. Descobri este lugar em 2016, voltei em 2017. É uma pérola, e uma daquelas coisas para uma lista “têm que ir lá uma vez na vida”. Este restaurante, para mim, era bom em qualquer parte do Mundo. Mas, ser muito bom e em Estremoz, eleva-o para algo a roçar o extraordinário. Gente do melhor, que passa amor para comida. Juro que quando diziam isto no MasterChef (Austrália) suspirava sempre um “que treta!”. Mas é incrível como conseguiram fazer-me sentir isso. E depois, as sobremesas. É música da boa para os meus elementos sensoriais. Faz-me sonhar e ainda bem que não vivo em Estremoz, certamente já estaria com os níveis de açúcar acima do desejável para alguém que quer viver para sempre (sim, tenho esse sonho).

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#MANÉ CIGANO, PONTA DELGADA | AÇORES

Mané Cigano, é nome que nos leva a dizer: “nunca na vida entro num lugar com esse nome”. Depois, para além do nome, é muito pequeno e com mesas corridas, com todo o ar que, à tarde, a malta lá terra se junto ali para jogar às cartas. Nada de mal, também gosto de uma cartada a beber minis. Mas para figurar numa lista dos melhores de 2017? Digo-vos uma coisa, vale, mas vale mesmo a pena. Parece-me que tudo o que sai daquela minúscula cozinha é muito bom, mas o chicharros fritos com feijão assado, fazem-nos, como diria a minha avó, “lamber o prato”. Depois, todo o ambiente, no extremo do informal, leva a que a experiência seja para recordar. Local de paragem obrigatória na minha querida ilha de São Miguel.

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#CASA DA IGREJA, CACELA-VELHA | ALGARVE

Primeiro, fica num dos lugares mais bonitos do Mundo. No largo da igreja, da icônica aldeia de Cacela-Velha, quase como um balcão para a majestosa Ria Formosa. Depois, tem a particularidade de abrir às 18h e fechar às 20h. E apesar do largo da igreja ser grande, as mesas são poucas. Esqueçam um atendimento formal, parece ser tudo gente da mesma família. Depois, a comida. A melhor descrição que poderei dar, é que tudo sabe, incrivelmente, a mar. Até o chouriço assado. Ah! As ostras são as melhores do mundo e eu adoro ostras. Outra coisa importante. Ir lá, é bom de qualquer maneira, mas com amigos, eleva a experiência para patamares estratosféricos. Foi isso que me aconteceu em Junho de 2017 quando lá fui, com amigos.

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#MESA DE LEMOS, VISEU | DÃO

Este é para ser estrela Michelin. Um edifício extraordinário, englobado num lugar incrível. Bem no meio da vinha, que “abastece” os vinhos da Quinta de Lemos, com a sua adega mesmo ao lado. Estive lá por altura das vindimas, o que ainda engrandeceu a experiência. O cheiro a vinho pairava no ar e eu adoro isso. Calhou-me em sorte um menu que tentava homenagear e elevar a antiga bucha dos trabalhadores da vindima. Um aliar brilhante, entre o produto e a mão do homem. Um elevar das histórias de um povo, trabalhador e simples, por algo grandioso e digno de qualquer grande cidade do Mundo. Achei genial. Acho que é isso, genial.

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#CASA DA VIÚVA – WINE BAR, QUINTANDONA | PENAFIEL

Mas que grande surpresa tive em Novembro, quando visitei este lugar. Fica numa, muito pequena e bonita, aldeia, perto de Penafiel. A comida é muito boa, o vinho é do melhor (não é um wine bar a fingir, esta malta tem mesmo vinhos bons e percebe de vinhos), o lugar está muito bem conseguido, super aconchegante, e depois, o melhor de tudo, as pessoas. Aquela coisa de receber como se recebe alguém em sua casa, aplica-se na perfeição aqui. Parecia que estava colado ao balcão, entre boas conversas, comida e vinhos. O tempo voa e as memórias ficam. Imperdível e para voltar em breve, com toda a certeza. 

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