Visitar Lisboa em três dias. Muitos dirão que Lisboa é para sempre. Que apenas se consegue descobrir ou sentir, a verdadeira Lisboa, vivendo lá todos os dias de uma vida. E se calhar uma vida não chega. Não discordo. Porque Lisboa é única e cheia de pequenos pormenores, deliciosos, quase impossíveis de viver e sentir a “olho nú”. Mas como nem tudo é perfeito, e como, à partida, só temos uma vida para viver, e tanto para viver, descobrir e sentir, por vezes temos de facilitar e compactar coisas preciosas. Quase como pintar um quadro belíssimo que conta a história de um povo. Não podemos falar ou conhecer toda gente desse povo. Mas podemos admirar o quadro e sentir e, de certa forma, conhecer esse povo, conhecer a sua história. Foi isso que a Yellow Bus construiu. Um quadro real, que conta a história de Lisboa. Este não está num museu, é quadro que nos acompanha durante três dias por Lisboa, em diferentes cenários, com diferentes cores, com diferentes personagens. E até é possível cheirar, tocar e ouvir a cidade. Bom, não? Este programa (o tal quadro real) ALL IN ONE e, como ele, temos acesso a tudo o que é transportes turísticos em Lisboa durante três dias. Sim, vale tudo. Barco, autocarro (aqueles descapotáveis e de dois andares), elétrico, ascensores ou elevadores. Andei a (re)descobrir Lisboa, durante três dias com este ALL IN ONE e posso adiantar já, que a gostei muito de ver, cheirar e ouvir.

A minha relação com Lisboa nem sempre foi famosa. Como sabem sou de Abrantes, mais concretamente de uma pequena freguesia à beira rio, Rossio ao Sul do Tejo, e como belo lugar do interior, sempre tive desde pequeno uma liberdade incrível. Andar de bicicleta, ir ao pinhal, jogar à bola na rua durante um dia inteiro, entre outras coisas normais que fazia, com menos de 10 anos, sem preocupações e sem qualquer adulto por perto. A primeira recordação que tenho de Lisboa, foi uma ida ao Estádio da Luz, em 1992, para assistir ao Benfica-Dinamo de Moscovo, tinha eu 7 anos. (sim, tenho boa memória) Adorei o jogo, mas detestei a confusão da cidade. Estava habituado a jogar no ringue da minha terra com vista para o rio, e de repente estava num estádio enorme com 50 mil pessoas que não conhecia de lado nenhum. Entrei golos, gritos, empurrões, euforia e desespero, ia correndo assim a minha primeira memória da cidade de Lisboa. Lembro-me também que o meu Pai me comprou uma bandeira à saída do estádio, que agitei constantemente, talvez com a intenção de afastar aquela gente toda, que não me deixava sequer ouvir o meu Pai. No regresso, andámos quilómetros e quilómetros até chegar ao carro. Mais um problema. Onde o problema não foi andar, estava habituado, foi sim a confusão de uma cidade gigante. Buzinas, razias, brigas, enfim, coisas normais de dias de jogo. Desconhecidas das minhas memórias até então. Este “trauma” durou anos. Vinha a Lisboa com frequência, mas quanto mais depressa saísse de lá, melhor. Com 18/19 anos a Liliana (sim, já namorava com ela) entrou para a universidade para Lisboa e eu para Coimbra. Ela já adorava Lisboa. Com isso, as visitas à cidade passaram aumentar de frequência. Nos primeiros tempos a muito custo. Mas com o andar do tempo, e lá está, com os cheiros, com as cores, com os sons e, sobretudo, com as pessoas, a minha imagem de Lisboa foi mudando. Comecei a admirar cada recanto de uma cidade, que agora também sinto como minha. Hoje e passados 25 anos daquele jogo no Estádio da Luz, considero Lisboa como uma das cidades mais incríveis do Mundo. E quanto mais conheço, mais quero conhecer. Sinto-me muito bem por lá e estranho quando estou muito tempo sem lá ir. 

Felizmente o meu trabalho leva-me a viver situações incríveis. Uma das que mais gosto é inverter a perspectiva. Ou seja, visitar o mesmo lugar, mas com outro olhar e de um diferente ângulo. E foi que aconteceu com a Yellow Bus e com o All in One. Confesso que nunca tinha andado de barco e de elétrico, em Lisboa. E é extremamente engraçado, as diferentes sensações provocadas por uma simples mudança de ângulo sobre o mesmo espaço, muitas vezes visto anteriormente. Começo belo barco da Yellow Bus (Yellow Boat), que parte do Terreiro do Paço, navega até à margem Sul, seguindo paralelamente a esta, para depois atracar em Belém. Voltando depois para o Terreiro do Paço. Simples. Cerca de 1h30m de viagem, que permitiram inúmeras paralelas e diferentes viagens. Comecei por me sentir um navegador, a partir de Lisboa para o Mundo. Quero acreditar que o meu olhar se cruzou no mesmo ângulo que muitos grandes nomes da história de Portugal. Imagino o que sentiu Pedro Álvares Cabral ou Vasco de Gama, nas primeiras milhas da partida. O entusiasmo da descoberta e a saudade da partida. É claro que os edifícios seriam outros há 500 anos, mas é claro que também existem muitas semelhanças. A forma da cidade e as suas colinas, seriam as mesmas. Também achei muito interessante a perspectiva da Praça do Comércio a partir do rio. Agora no sentido de chegada a Lisboa, como porta de entrada de produtos e pessoas vindas de outros mares. Esta seria a primeira imagem de Lisboa para muitos. Com todos estes momentos e diferentes olhares na cabeça, navegava em direção à margem Sul, para descobrir pequenas praias do rio, até então para mim desconhecidas, e para observar os estivadores na suas rotinas diárias. Um lado cru e real do dia do Tejo. Outro momento delicioso para mim, foi o aproximar da Ponte 25 de Abril, que vista do Tejo e debaixo para cima, ganha o estatuto de gigante obra de arte. Deixa de ser uma simples forma de ir do ponto A para o ponto B. Ao som do Barco Negro de Amália Rodrigues, continua a “caminhar” lentamente em direção a Belém, com o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos e o recente MAAT, cuidadosamente alinhados à minha frente. Quase como o passado a conversar e a conviver com o futuro, no presente. O barco atracou em Belém e eu saí. Uma das particularidades deste All in One é podemos sair e entrar, em todos os transportes do programa, as vezes que quisermos e onde quisermos. Belém é um ponto de paragem comum para o barco e para o autocarro (Tagus Tour), que faz o circuito entre Belém e o centro histórico. Entrei no autocarro e segui para outra história.

O restantes dois dias foram assim. Entrar e sair de autocarros e elétricos. Seguir o olhar de personagens históricas da cidade. No elétrico então, é demasiado fácil viajar no tempo. Basta ouvir o som do ferro com ferro nos carris ou da sua campainha característica. A observar as rotinas de quem vive por aqui, tão diferentes as pessoas, quase como que de diferentes tribos se tratassem e com tanto em comum. As conversas sobre futebol, o som do fado a sair das lojas, os barbeiros a fazerem a barba a clientes com uma lamina afiada, os assadores de castanhas e os vendedores de castanhas, os artistas de rua, o final do dia, que faz Lisboa mudar de cor, para aquela cor dourada, que parece que existe em Lisboa. Depois ver os estrangeiros, que visitam pela primeira vez a cidade, com aquela cara de espanto e entusiasmo a assistir a tudo isto. A fazerem a si próprios a mesma pergunta que eu faço a mim quando visito um lugar numa cultura distante: “e se eu vivesse aqui?”. Assistir também à “boca aberta” e sons de “uau!!” de visitantes e residentes  assim que chegam ao topo do miradouro do Elevador de Santa Justa (também pertence ao All in One) e vêem aquela deslumbrante panorâmica sobre o rio, a cidade e o castelo. Realmente é um lugar incrível. O mesmo se aplica ao ascensor da Glória, com a chegada ao miradouro de São Pedro de Alcântara. Enfim, um sem número de pequenos movimentos, sons, cheiros e imagens, que fazem deste quadro de Lisboa, uma verdadeira obra de arte.

É tão bom (re)descobrir a, também minha, Lisboa.

Visitar Lisboa

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MAIS INFORMAÇÃO

ALL IN ONE by Yellow Bus (Carristur)

“Percorra a cidade nesta visita guiada em Lisboa de uma ponta à outra! São 6 linhas em vários circuitos turísticos de Lisboa num só bilhete, entre autocarros, elétricos e barco. Os autocarros do Tagus Bus Tour, Olisipo Bus Tour e Belém Bus Tour proporcionam-lhe vistas inesquecíveis da cidade a 4 metros de altura, passando pelas zonas de Belém, Baixa, Parque Eduardo VII e Parque das Nações. Sobre carris, os elétricos vermelhos do Hills Tramcar Tour e verdes do Castle Tramcar Tour percorrem as ruas estreitas dos principais bairros Lisboetas. Por fim, o barco do Yellow Boat Tour mostra-lhe que Lisboa vista do Rio esta visita guiada a Lisboa é algo que não pode perder.”

Site: www.yellowbustours.com

E-mail: yellowbus@carris.pt



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