Chegar a Monsanto é um momento épico. Para quem vem de carro, no horizonte, independentemente da orientação espacial, começa primeiro por vislumbrar uma pequena montanha, que quase como uma árvore milenar, nasceu sozinha num terreno quase plano. Tem grande destaque, portanto. Com o aproximar, começam-se a distinguir o cinzento da rocha do verde da vegetação, e a pequena montanha começa a ganhar novas formas e novas cores. Mais tarde, mas pouco mais tarde, começam a surgir por entre as rochas, pequenas casas, cuidadosamente alinhadas, quase como se colocassem uma porta e janelas na rochas. Mais perto, distingue-se a Torre do Relógio e o Castelo do Monsanto, que bem no topo da montanha começa a ganhar forma. Nesta altura meus amigos, a vossa viagem começou e é sem volta atrás. Nesta altura, se forem como eu, já a aldeia histórica de Monsanto vos “agarrou”. Começam a imaginar como seria há 500 anos, com as tropas de Castela a tentar conquistar Monsanto, quase como formigas a surgir lá no horizonte. Conseguem ver (na vossa cabeça) os soldados a subir as ruas da aldeia até ao castelo. Conseguem ver reis, rainhas e princesas, duques, cavaleiros e trovadores, ou talvez apenas aventureiros errantes. Todos a chegarem a Monsanto e, talvez como eu, a ficarem deslumbrados com esta aldeia esculpida da rocha. Deixei de ver a silhueta da montanha onde está Monsanto. Passei a ver Monsanto de perto. Entrei na aldeia pelo lado Norte e após uma boa subida estaciono o carro. Na verdade não consigo subir mais. A partir daqui vai ser a pé, tal como os aventureiros errantes de outrora. A viagem não começou aqui, como já vos disse. Começou a uns quilómetros de distância. Mas agora, que entrei na aldeia, existe uma grande diferença. Agora também faço parte do elenco da história.

 

 

Esta história pertence ao projeto Retratos do Centro de Portugal. Vão ser construídos 365 retratos, 365 pequenas histórias, sobre toda a grande Região Centro de Portugal. Podem consultar todos os retratos aqui.

 

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