Ilha Terceira. Já foi conhecida como Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras e o seu nome não quer dizer que é a terceira ilha dos Açores. Em tempos pensei que fosse. O seu nome quantitativo tem origem na descoberta das ilhas do Atlântico. Canárias, foi a primeira, Madeira a segunda, e os Açores, foi a terceira. Ficou com o nome da descoberta, em representação de todo o arquipélago.

A minha descoberta da Terceira, apenas se deu em 2018. Isto depois de uma já longa relação com os Açores. Talvez por já conhecer (muito) bem outras ilhas do arquipélago, não aconteceu surpresa na descoberta, aconteceu uma espécie de confirmação da descoberta. Confirmação e extensão de um paraíso, sem igual, chamado Açores. Sem grandes dúvidas, um dos meus lugares favoritos no mundo. Esta ilha Terceira tem cerca de 30 quilómetros de verde, rodeado de azul. Tem trilhos lindíssimos e paisagens de cortar a respiração. Tem património edificado, começando pela Património Mundial Angra do Heroísmo, que merece admiração (sim, a vulgar constatação de boca aberta) e uma gastronomia ao nível da grandiosidade dos Açores, começando pelo peixe (o restaurante Beira-Mar em São Mateus é, como diria um amigo meu, top mundial), passando pelos queijos e acabando na carne de vaca. Poderia ter qualquer um destes pontos como referência máxima sobre “o melhor da ilha Terceira”, mas para mim o ponto que merece esse destaque não é nenhum deles. O ponto que merece o maior destaque e que melhor identifica a ilha Terceira, na minha opinião, são as festas. Que povo festeiro. Começam os primeiros raios de sol do ano, lá para meio da Primavera, e o povo sai à rua, para ficar, assim até ao final do Verão. Todos os pretextos são bons para uma festa e existem festas por toda a ilha, mas as Sanjoaninas merecem o destaque máximo. Coisa impressionante, não pelo fogo de artifício (aqui refiro-me a tudo o que envolve a festa), mas pelo envolvimento das pessoas. 

  Sobre a minha viagem à ilha Terceira, em jeito de crónica:

“…traço no mapa três paragens. São Mateus da Calheta, Serra de Santa Bárbara (ponto mais alto da ilha) e Miradouro da Serra Cume. Seria uma espécie de meia volta à ilha. Iria parar, obrigatoriamente, nestes três pontos, o resto seria ao sabor do vento. São Mateus, foi a primeira paragem. É terra que cheira a mar. É dali que sai grande parte da frota pesqueira da ilha. Tem um porto. Tem uma lota. Tem um povo ligado à pesca. E tem o restaurante Beira Mar, que é, deixem lá ver como o vou classificar….um paraíso. Peixe e marisco, mais fresco, é impossível. Produto dos Açores a brilhar. Cada garfada foi um deleite para os meus sentidos e infelizmente para a minha memória (salivo pela hora de voltar e será difícil na hora da comparação com outras refeições de pescado). Pelo meio, entre almoços e observação de barcos de pesca, fiz novos amigos. Pescadores de São Mateus, que não se imaginam em outro lugar, que muitas histórias me contaram de baleias, pescarias e oceanos. Daqui segui viagem até ao ponto mais alto da ilha. Mais um clássico das minhas viagens. Procurar o lugar mais alto e ter uma perspectiva diferente de tudo o resto. Não é a Montanha do Pico, mas do alto dos seus 1021m de altitude ainda se vê muita coisa. Vê-se sobretudo a dimensão do oceano, que faz sentir pequeno tudo em sem redor. Pelo meio de paisagens verdejantes, entre colinas e florestas, sigo para o Miradouro da Serra do Cume. Que assume o estatuto de rockstar da ilha Terceira. É difícil ir à ilha sem passar por lá. E por mais que as expectativas estejam elevadas, acredito que nunca irá desiludir. Que paisagem incrível estava diante dos meus olhos. Angra lá ao fundo, vacas a pastarem em meu redor, tudo o que é serra e planalto assumia formas graciosas e por fim, a famosa mata de retalhos da ilha Terceira. Um quadrado verde mais escuro a combinar com um quadrado verde mais claro, e assim sucessivamente, a perder de conta. Parece que foi, realmente, costurado, esta enorme planície agrícola terceirence.”