DIÁRIO DE QUARENTENA 

DIÁRIO DE QUARENTENA 

Isolei-me com a Liliana e a Alice em casa no dia 13 de Março, devido à pandemia Covid-19.

O nosso escritório deixou de ser lá fora e passou a ser em casa. Para o bem de todos.

Estes são os diários dos nossos dias de isolamento.

14 de Março – dia 1

Tinha algumas mãos cheias de trabalhos agendados para as próximas semanas, viagens, sonhos com necessidade de realidade, eventos no meu escritório, enfim, 1000 e 1 coisas a acontecerem, como uma espécie de rotina dos meus tempos. Adiei, cancelei, abrandei, coloquei na pausa. Agora que penso nisso, muitos dos meus stresses diários até parecem levianos, tal é o intervalo de prioridades. É como colocar a minha vida num funil e apenas sai de lá, não o que é importante, mas o que é essencial.

Levo o imprescindível do meu escritório e trabalho o que conseguir em casa. As próximas semanas vão ser assim. Olho para a Alice, olho para a Liliana, olho para o meus pais, penso na minha avó, penso em todos aqueles que me são queridos, e felizmente são muitos, e não posso agir de outra forma. Vai muito além de mim, da minha saúde, do meu trabalho e da minha habitual forma de viver (e conviver). Nunca o sentido colectivo e comunitário foi tão importante. Nunca, no tempo da minha vida, vivemos uma situação como esta. Vi muitos filmes de empolgamento alarmista, mas nunca pensei estar dentro de um. E ao estar, vou tentar fazer as coisas bem, com aquela esperança optimista de que vai acabar tudo bem. Como nos filmes.

Bem, agora vou ver filmes, ler livros, brincar com a Alice e sonhar com a Liliana. Tentar manter-me optimista e tentar viver o melhor possível em tempos difíceis onde cada dia parece uma eternidade. Talvez seja por dar mais valor ao tempo ou a tudo o que o vivia muitas e tantas vezes sem a devida valorização.

Uma palavra de conforto e admiração para todos aqueles que não podem “refugiar-se” em casa com os seus e que estão a cuidar de todos nós. Neste “filme” são eles os heróis.

Cuidem-se. Por vocês e por todos nós. (sem histeria e em consciência)

Tinha algumas mãos cheias de trabalhos agendados para as próximas semanas, viagens, sonhos com necessidade de realidade, eventos no meu escritório, enfim, 1000 e 1 coisas a acontecerem, como uma espécie de rotina dos meus tempos. Adiei, cancelei, abrandei, coloquei na pausa. Agora que penso nisso, muitos dos meus stresses diários até parecem levianos, tal é o intervalo de prioridades. É como colocar a minha vida num funil e apenas sai de lá, não o que é importante, mas o que é essencial.

Levo o imprescindível do meu escritório e trabalho o que conseguir em casa. As próximas semanas vão ser assim. Olho para a Alice, olho para a Liliana, olho para o meus pais, penso na minha avó, penso em todos aqueles que me são queridos, e felizmente são muitos, e não posso agir de outra forma. Vai muito além de mim, da minha saúde, do meu trabalho e da minha habitual forma de viver (e conviver). Nunca o sentido colectivo e comunitário foi tão importante. Nunca, no tempo da minha vida, vivemos uma situação como esta. Vi muitos filmes de empolgamento alarmista, mas nunca pensei estar dentro de um. E ao estar, vou tentar fazer as coisas bem, com aquela esperança optimista de que vai acabar tudo bem. Como nos filmes.

Bem, agora vou ver filmes, ler livros, brincar com a Alice e sonhar com a Liliana. Tentar manter-me optimista e tentar viver o melhor possível em tempos difíceis onde cada dia parece uma eternidade. Talvez seja por dar mais valor ao tempo ou a tudo o que o vivia muitas e tantas vezes sem a devida valorização.

Uma palavra de conforto e admiração para todos aqueles que não podem “refugiar-se” em casa com os seus e que estão a cuidar de todos nós. Neste “filme” são eles os heróis.

Cuidem-se. Por vocês e por todos nós. (sem histeria e em consciência)

15 de Março – dia 2

As rotinas mudaram. Ir lá fora, só para o indispensável (ainda não aconteceu). Nunca pensei escrever isto. O meu “lá fora” sempre foi sinónimo de liberdade e de sonhos, mas outras prioridades tomaram posse dos meus, dos nossos dias.

Temos aproveitado os dias para organizar a casa, coisa que fica sempre para depois, para ver umas séries (em breve vou agarrar-me aos livros), coisa rara em tempo de muito trabalho, e, sobretudo, tempo para nós três, que nem sempre acontece. Também vou deixar um bom tempo para trabalhar (aproveitei o fim de semana para acalmar do turbilhão), adaptar conceitos a este mundo novo, porque uma pessoa não pode deixar de sonhar.

Vamos tentando mantermo-nos ao máximo ocupados, sem ver demasiadas notícias (tentamos ver as corretas ou fidedignas), com a noção clara que vamos passar um bom tempo por aqui. Adaptação, essa coisa que o ser humano faz tão bem, apesar de toda resistência. Vamos ter deixar fluir a adaptação do nosso corpo e mente a estes novos e conturbados tempos.

Tomámos esta opção em consciência, não só por nós, mas muito por todos vós. Estamos a fazer da nossa casa o nosso escritório há dois dias, qualquer um de nós pode, neste momento, ser portador do famoso vírus (isto não é fantasia, tal como vocês, que como nós se sentem saudáveis). Não queremos ser receptores, mas também não queremos ser transmissores. Só assim, neste momento, se coloca travão no bicho. E, penso que é unanime, todos queremos que isto acabe o mais depressa possível. Por tudo.

Mais uma vez, e porque nunca é demais, uma palavra de gratidão para todos os profissionais que dão o corpo ao manifesto.

As rotinas mudaram. Ir lá fora, só para o indispensável (ainda não aconteceu). Nunca pensei escrever isto. O meu “lá fora” sempre foi sinónimo de liberdade e de sonhos, mas outras prioridades tomaram posse dos meus, dos nossos dias.

Temos aproveitado os dias para organizar a casa, coisa que fica sempre para depois, para ver umas séries (em breve vou agarrar-me aos livros), coisa rara em tempo de muito trabalho, e, sobretudo, tempo para nós três, que nem sempre acontece. Também vou deixar um bom tempo para trabalhar (aproveitei o fim de semana para acalmar do turbilhão), adaptar conceitos a este mundo novo, porque uma pessoa não pode deixar de sonhar.

Vamos tentando mantermo-nos ao máximo ocupados, sem ver demasiadas notícias (tentamos ver as corretas ou fidedignas), com a noção clara que vamos passar um bom tempo por aqui. Adaptação, essa coisa que o ser humano faz tão bem, apesar de toda resistência. Vamos ter deixar fluir a adaptação do nosso corpo e mente a estes novos e conturbados tempos.

Tomámos esta opção em consciência, não só por nós, mas muito por todos vós. Estamos a fazer da nossa casa o nosso escritório há dois dias, qualquer um de nós pode, neste momento, ser portador do famoso vírus (isto não é fantasia, tal como vocês, que como nós se sentem saudáveis). Não queremos ser receptores, mas também não queremos ser transmissores. Só assim, neste momento, se coloca travão no bicho. E, penso que é unanime, todos queremos que isto acabe o mais depressa possível. Por tudo.

Mais uma vez, e porque nunca é demais, uma palavra de gratidão para todos os profissionais que dão o corpo ao manifesto.

 

16 de Março – dia 3

As rotinas agora são outras.

 

As rotinas agora são outras.

17 de Março – dia 4

Sei que um escritório que se quer livre é o oposto de um escritório permanente confinado a limitados metros quadrados. Mas vou tentando manter, por aqui, uma espécie de diário. Muito pouco por vocês, porque a minha vida em casa pouco vos tem a dizer. Mas muito por mim, este diário liberta-me e ocupa-me. Talvez até me faça sentir, um pouco, mais livre.

Não estou, eu e a minha família, em quarentena obrigatória. Até ver não estivemos expostos a nenhuma cadeia de propagação. Mas optámos por este isolamento, apenas saindo de casa para o indispensável, em consciência com a seriedade da época em que vivemos. Sinto-me com um vegetariano que come derivados. Estou em casa, em isolamento, mas vou ao lixo, às vezes e simplesmente apanhar ar, ou vou às compras. Coisas mínimas que parecem pequenos luxos. Talvez seja o mesmo que sente um vegetariano a comer uma omelete (atenção, nada, mas mesmo nada, contras a malta vegetariana).

Hoje, pela primeira vez, dei por mim a pensar que dia da semana é. Ainda vou no quarto dia, e já percebo o desnorte que a falta de liberdade provoca. E que, neste caso, vai provocar em força. Porque, meus amigos, a coisa vai durar. E se optei por esta via, numa fase inicial, não será no pico que vou sair de casa. Tantos meses da minha vida que passam parece um flash e olho para o Verão como que olha para uma travessia do deserto, a pé. Sim, parece que não tem fim. Mas, como disse alguém muito mais sábio do que eu, para grandes males, grande remédios.

Vou tentando dividir o meu tempo útil em três. Trabalho, limpar e arrumar a casa (tanta tralha que tinha e já deitei fora), e para estar com a Liliana e Alice sem pensar em mais nada. Também fizemos uma ementa semanal, primeira pela consciência do que temos e para não existir desperdício, e em segundo pela diversão de cozinhar, como uma espécie de momento alto do dia. Hoje fiz para o almoço favas com carne. A Liliana diz que estavam secas, mas culpou as favas e não me culpou a mim. Eu achei que estava tudo bem. Já cozinhei mais vezes em 4 dias, do que nos últimos 3 meses.

Hoje á noite temos um encontro à janela marcado entre vizinhos. Talvez seja o primeiro acto social que vou ter com as pessoas do meu bairro, onde vivo há 8 anos. Valorizações que a falta de liberdade traz.

Sei que um escritório que se quer livre é o oposto de um escritório permanente confinado a limitados metros quadrados. Mas vou tentando manter, por aqui, uma espécie de diário. Muito pouco por vocês, porque a minha vida em casa pouco vos tem a dizer. Mas muito por mim, este diário liberta-me e ocupa-me. Talvez até me faça sentir, um pouco, mais livre.

Não estou, eu e a minha família, em quarentena obrigatória. Até ver não estivemos expostos a nenhuma cadeia de propagação. Mas optámos por este isolamento, apenas saindo de casa para o indispensável, em consciência com a seriedade da época em que vivemos. Sinto-me com um vegetariano que come derivados. Estou em casa, em isolamento, mas vou ao lixo, às vezes e simplesmente apanhar ar, ou vou às compras. Coisas mínimas que parecem pequenos luxos. Talvez seja o mesmo que sente um vegetariano a comer uma omelete (atenção, nada, mas mesmo nada, contras a malta vegetariana).

Hoje, pela primeira vez, dei por mim a pensar que dia da semana é. Ainda vou no quarto dia, e já percebo o desnorte que a falta de liberdade provoca. E que, neste caso, vai provocar em força. Porque, meus amigos, a coisa vai durar. E se optei por esta via, numa fase inicial, não será no pico que vou sair de casa. Tantos meses da minha vida que passam parece um flash e olho para o Verão como que olha para uma travessia do deserto, a pé. Sim, parece que não tem fim. Mas, como disse alguém muito mais sábio do que eu, para grandes males, grande remédios.

Vou tentando dividir o meu tempo útil em três. Trabalho, limpar e arrumar a casa (tanta tralha que tinha e já deitei fora), e para estar com a Liliana e Alice sem pensar em mais nada. Também fizemos uma ementa semanal, primeira pela consciência do que temos e para não existir desperdício, e em segundo pela diversão de cozinhar, como uma espécie de momento alto do dia. Hoje fiz para o almoço favas com carne. A Liliana diz que estavam secas, mas culpou as favas e não me culpou a mim. Eu achei que estava tudo bem. Já cozinhei mais vezes em 4 dias, do que nos últimos 3 meses.

Hoje á noite temos um encontro à janela marcado entre vizinhos. Talvez seja o primeiro acto social que vou ter com as pessoas do meu bairro, onde vivo há 8 anos. Valorizações que a falta de liberdade traz.

18 de Março – dia 5

5 dias. Já parece uma eternidade, com aquele sentimento paralelo “isto ainda nem começou”. Há uns dias vi um documentário em que entrevistavam uma pessoa que tinha sido torturada, onde ela dizia que estava constantemente a pensar que a tortura iria acabar no minuto seguinte. Na verdade ela sabia que não iria terminar no minuto seguinte, mas estava constantemente a enganar o cérebro, e resultou. Talvez deva tentar isso. O primeiro passo será isolar-me de fake news e de comentários ignorantes e alarmistas. Aqueles que culpam, aqueles que criticam e se autocriticam, sem saberem, mostrando a sua clara ignorância sobre um assunto onde todos somos ignorantes. Muitas vezes a maior sensatez é silêncio. Muitas vezes a maior ajuda é optimismo. Muitas vezes o maior conforto é o bom senso.

Em tempos de excepção, aplicam-se medidas de excepção. Isto é um paralelo para muita coisa e também para mim. Por norma, pouco partilho da minha vida. Parece que partilho tudo, mas partilho apenas a dose equilibrada para me conhecerem bem. Em tempos de excepção e em forma de desabafo, vou partilhar mais. A Alice tem estado com febre. Anda aflita com dentes a nascerem. Sim, muitos médicos dizem que dentes não dá febre. Mas acho que a razão da febre vem daí. Aqui fechados e com o mundo a enlouquecer lá fora, esta febre veio abalar a moral aqui de casa. Tipo barco em alto mar, a precisar de ver terra. Os sorrisos transformaram-se em sorrisos amarelos, de preocupação. Mais um, talvez, exagero de tempos de excepção. Aquilo que não devia dar preocupação, em tempos normais, aqui transforma-se numa rotina. A Alice está desconfortável, automaticamente ninguém está bem. Com o benuron a ajudar, tudo vai passar. E ela continua bem disposta, variando os tempos entre dj, atiradora de bolas luminosas e bailarina. Espero que a febre passe rápido para levar a nossa preocupação com ela.

Ontem sonhei que já tinham inventado a cura para covid-19. Era um gel e custava 15,70€. Havia para todos e sem brigas. Parece-me que, no sonho, e com o aparecimento deste gel, tudo iria voltar à normalidade em uma semana. Até o Benfica já ia jogar para semana. Estou pensar em tudo menos em futebol (insignificante neste momento), mas bolas, já tenho saudades da normalidade de ver o Benfica ao fim de semana (e de tudo o que isso iria implicar).

5 dias. Já parece uma eternidade, com aquele sentimento paralelo “isto ainda nem começou”. Há uns dias vi um documentário em que entrevistavam uma pessoa que tinha sido torturada, onde ela dizia que estava constantemente a pensar que a tortura iria acabar no minuto seguinte. Na verdade ela sabia que não iria terminar no minuto seguinte, mas estava constantemente a enganar o cérebro, e resultou. Talvez deva tentar isso. O primeiro passo será isolar-me de fake news e de comentários ignorantes e alarmistas. Aqueles que culpam, aqueles que criticam e se autocriticam, sem saberem, mostrando a sua clara ignorância sobre um assunto onde todos somos ignorantes. Muitas vezes a maior sensatez é silêncio. Muitas vezes a maior ajuda é optimismo. Muitas vezes o maior conforto é o bom senso.

Em tempos de excepção, aplicam-se medidas de excepção. Isto é um paralelo para muita coisa e também para mim. Por norma, pouco partilho da minha vida. Parece que partilho tudo, mas partilho apenas a dose equilibrada para me conhecerem bem. Em tempos de excepção e em forma de desabafo, vou partilhar mais. A Alice tem estado com febre. Anda aflita com dentes a nascerem. Sim, muitos médicos dizem que dentes não dá febre. Mas acho que a razão da febre vem daí. Aqui fechados e com o mundo a enlouquecer lá fora, esta febre veio abalar a moral aqui de casa. Tipo barco em alto mar, a precisar de ver terra. Os sorrisos transformaram-se em sorrisos amarelos, de preocupação. Mais um, talvez, exagero de tempos de excepção. Aquilo que não devia dar preocupação, em tempos normais, aqui transforma-se numa rotina. A Alice está desconfortável, automaticamente ninguém está bem. Com o benuron a ajudar, tudo vai passar. E ela continua bem disposta, variando os tempos entre dj, atiradora de bolas luminosas e bailarina. Espero que a febre passe rápido para levar a nossa preocupação com ela.

Ontem sonhei que já tinham inventado a cura para covid-19. Era um gel e custava 15,70€. Havia para todos e sem brigas. Parece-me que, no sonho, e com o aparecimento deste gel, tudo iria voltar à normalidade em uma semana. Até o Benfica já ia jogar para semana. Estou pensar em tudo menos em futebol (insignificante neste momento), mas bolas, já tenho saudades da normalidade de ver o Benfica ao fim de semana (e de tudo o que isso iria implicar).

19 de Março – dia 6

O dia do pai marcou o nosso dia. Felizmente a Alice já vai estando melhor, apesar de ainda ter febre. Por isso, deu para ela e a mãe, quase em modo conspiração, andarem a construir a prenda do pai. Entre muitas pinturas (temos artista) saiu uma caixa com peças de lego, com pequenas frases ou desejos, para construirmos (na realidade) quando tudo voltar à normalidade. Foi bonito. Não posso falar por outros pais, mas eu pertenço ao tipo “tudo o que a minha filha faz é lindo”. Sai dali um rabisco (ela tem 19 meses) e parece que estou a olhar para um Picasso.

Por um lado, foi um bocado estranho não estar com o meu pai. Confesso que nunca liguei muito a estas datas (ao dia do pai e a outras), o mais certo, em anos passados, era estar a viajar e, automaticamente, não passar o dia com o meu pai. Mas podia estar com ele, ninguém me estava a impedir. Este ano foi diferente, parecia que tínhamos uma barreira gigante entre nós. Invisível, mas gigante. Isto a juntar ao facto de saber que não vamos poder estar juntos tão depressa. Apesar de, da minha casa, conseguir ver a casa dele. Estranho. Tempos muito estranhos.

Acho que já vos tinha dito, mas além de trabalhar, estar com as mulheres cá de casa e cozinhar, também ando armado em Marie Kondo. Sim, aquela japonesa que é um ninja da arrumação. Tenho seguido à risca a maior máxima dela. Só fica o essencial. O resto vai fora. Quilos de tralha que mandei fora. Até a casa parece respirar melhor.

Com estas coisas todas, o dia de hoje parece que passou a correr. Sei que nem todos vão ser assim, mas também não vale a pena sofrer por antecipação. Um dia de cada vez.

O dia do pai marcou o nosso dia. Felizmente a Alice já vai estando melhor, apesar de ainda ter febre. Por isso, deu para ela e a mãe, quase em modo conspiração, andarem a construir a prenda do pai. Entre muitas pinturas (temos artista) saiu uma caixa com peças de lego, com pequenas frases ou desejos, para construirmos (na realidade) quando tudo voltar à normalidade. Foi bonito. Não posso falar por outros pais, mas eu pertenço ao tipo “tudo o que a minha filha faz é lindo”. Sai dali um rabisco (ela tem 19 meses) e parece que estou a olhar para um Picasso.

Por um lado, foi um bocado estranho não estar com o meu pai. Confesso que nunca liguei muito a estas datas (ao dia do pai e a outras), o mais certo, em anos passados, era estar a viajar e, automaticamente, não passar o dia com o meu pai. Mas podia estar com ele, ninguém me estava a impedir. Este ano foi diferente, parecia que tínhamos uma barreira gigante entre nós. Invisível, mas gigante. Isto a juntar ao facto de saber que não vamos poder estar juntos tão depressa. Apesar de, da minha casa, conseguir ver a casa dele. Estranho. Tempos muito estranhos.

Acho que já vos tinha dito, mas além de trabalhar, estar com as mulheres cá de casa e cozinhar, também ando armado em Marie Kondo. Sim, aquela japonesa que é um ninja da arrumação. Tenho seguido à risca a maior máxima dela. Só fica o essencial. O resto vai fora. Quilos de tralha que mandei fora. Até a casa parece respirar melhor.

Com estas coisas todas, o dia de hoje parece que passou a correr. Sei que nem todos vão ser assim, mas também não vale a pena sofrer por antecipação. Um dia de cada vez.

20 de Março – dia 7

Hoje chove. Com uma consistência digna de uma batida de relógio. Parece que lá cima abriram a torneira na posição x e foram embora. Sempre com a mesma batida, sempre com a mesma intensidade. Para quem está fechado em casa, a chuva é como uma segunda porta ou um segundo isolamento ao isolamento. Zero contacto com o exterior, zero ar puro, zero idas lá fora (à varanda), nem que fosse para estender a roupa. Sim, lá porque estamos fechados em casa, não quer dizer que a família não vista uma roupa lavada todos os dias. Mais que não seja pela rotina e para elevar o espírito.

Aproveitando a melancolia do dia, sentei-me num cadeirão à janela. A Alice dormia a sesta, a Liliana trabalhava. Limitei-me a observar os (poucos) carros a passar. Momento que me levou a fazer uma viagem, afetiva, no tempo. Passei grande parte da minha infância com a minha avó materna. Até aos 10 anos, todos os dias almocei na casa da minha avó. Todos os dias a minha ia-me buscar à escola. Fora dos tempos de escola, nas manhãs, ia com a minha avó para o trabalho dela, que era cuidar de uma casa (grande) de uma família que não era a nossa. A minha fazia as limpezas, preparava as refeições, enfim fazia o que fosse preciso. Todas as manhãs. E, em tempo de férias, todas as manhãs ia com a minha avó para a tal casa. Como a casa não era nossa, a minha sempre me avisou para não mexer no que não era nosso. Dizem que era uma criança tranquila e sempre cumpri com os pedidos da minha avó. Mas tinha de ocupar o tempo com qualquer coisa. No intervalo das brincadeiras com os meus brinquedos, gostava de me sentar à janela do primeiro andar da casa, que dava para a rua principal da nossa aldeia, e ver os carros a passar. Sempre tive uma imaginação fértil, talvez potenciada por momentos como este, e tentava imaginar a vida das pessoas que seguiam nos carros. Com base nos elementos disponíveis, construir uma história à volta daquilo. Parece meio esquisito para alguém com menos de 10 anos, eu sei. Mas adorava aquilo. Tanto, que ainda tenho imagens na minha cabeça desses momentos. Hoje fiz mesmo. O pouco movimento de carros ajudou. A informação não foi demasiada. Mas valeu, sobretudo, pela melancólica viagem à minha infância e aos bons e simples momentos que passei com a minha avó. Hoje, muitos do meus pensamentos, neste fase complicada, também vão para minha avó. Quase 89 anos e num lar. Espero que tudo corra bem.

Amanhã a chuva vai continuar, talvez a melancolia também vá continuar.

Hoje chove. Com uma consistência digna de uma batida de relógio. Parece que lá cima abriram a torneira na posição x e foram embora. Sempre com a mesma batida, sempre com a mesma intensidade. Para quem está fechado em casa, a chuva é como uma segunda porta ou um segundo isolamento ao isolamento. Zero contacto com o exterior, zero ar puro, zero idas lá fora (à varanda), nem que fosse para estender a roupa. Sim, lá porque estamos fechados em casa, não quer dizer que a família não vista uma roupa lavada todos os dias. Mais que não seja pela rotina e para elevar o espírito.

Aproveitando a melancolia do dia, sentei-me num cadeirão à janela. A Alice dormia a sesta, a Liliana trabalhava. Limitei-me a observar os (poucos) carros a passar. Momento que me levou a fazer uma viagem, afetiva, no tempo. Passei grande parte da minha infância com a minha avó materna. Até aos 10 anos, todos os dias almocei na casa da minha avó. Todos os dias a minha ia-me buscar à escola. Fora dos tempos de escola, nas manhãs, ia com a minha avó para o trabalho dela, que era cuidar de uma casa (grande) de uma família que não era a nossa. A minha fazia as limpezas, preparava as refeições, enfim fazia o que fosse preciso. Todas as manhãs. E, em tempo de férias, todas as manhãs ia com a minha avó para a tal casa. Como a casa não era nossa, a minha sempre me avisou para não mexer no que não era nosso. Dizem que era uma criança tranquila e sempre cumpri com os pedidos da minha avó. Mas tinha de ocupar o tempo com qualquer coisa. No intervalo das brincadeiras com os meus brinquedos, gostava de me sentar à janela do primeiro andar da casa, que dava para a rua principal da nossa aldeia, e ver os carros a passar. Sempre tive uma imaginação fértil, talvez potenciada por momentos como este, e tentava imaginar a vida das pessoas que seguiam nos carros. Com base nos elementos disponíveis, construir uma história à volta daquilo. Parece meio esquisito para alguém com menos de 10 anos, eu sei. Mas adorava aquilo. Tanto, que ainda tenho imagens na minha cabeça desses momentos. Hoje fiz mesmo. O pouco movimento de carros ajudou. A informação não foi demasiada. Mas valeu, sobretudo, pela melancólica viagem à minha infância e aos bons e simples momentos que passei com a minha avó. Hoje, muitos do meus pensamentos, neste fase complicada, também vão para minha avó. Quase 89 anos e num lar. Espero que tudo corra bem.

Amanhã a chuva vai continuar, talvez a melancolia também vá continuar.

21 de Março – dia 8

Hoje, dia 21 de Março, sem coronavírus, deveria estar com o meu escritório cheio de gente boa e a partilhar informação e experiências sobre gestão de redes sociais e estratégia digital. É claro que eu sabia desta data, mas foi preciso o meu calendário/agenda soltar uma notificação, para me dar uma espécie de notificação de realidade. Não resisti e abri pela primeira vez o calendário esta semana. Senti uma nostalgia a sério. Ontem deveria ter recebido o Noiserv no meu escritório, ontem era suposto ter jantado com os meus amigos, numa tertúlia que temos. Na próxima 3a feira deveria estar sobre viagens numa escola, na 4a deveria estar a voar para a ilha do Pico (Açores), no fim de semana deveria estar a receber a Raquel Ochoa no meu escritório, para mais uma conversa e workshop. Só assim por alto. Em Abril tinha planeado passar a Páscoa a Castelo de Vide, jantares em Oleiros e uma viagem para a Grécia. Só assim por alto. Não é o mais importante, porque tudo isto não é sobre mim, nem sobre a minha vida. É sobre todos nós. Sobre o mundo. Mas custa ter a vida em suspenso e sem previsão de retorno. E quando retornar, sem saber muito bem como a vou encontrar.

Felizmente, e isto é que é mesmo o mais importante, a Alice está melhor. Vê-la bem, é como uma lufada de ar fresco num espaço confinado.

Hoje foi publicado um texto no Público (podem ler aqui),um pequeno texto escrito por mim. Onde eu e outras pessoas ligadas ao tema “viagem”, soltamos palavras sobre estes novos tempos onde a viagem, pura e simplesmente, não pode existir. Gosto de ver histórias espalhadas em lugares interessantes como o Público, mas esta história, realmente, foge muito aos meus temas e prosa âncora. Foi uma espécie de misto de sentimentos. Por um lado satisfação por passar a minha mensagem e por ver-nos, eu e a minha Alice, num jornal de referência (sim, para recordarmos quando ela for mais velhinha). Por outro lado, bem o outro lado nem é preciso dizer. Hoje nem tive a minha mãe a ligar-me a dizer “filho, estás no jornal!!”, como sempre faz. Foi o melhor que ela fez, não sair de casa.

Hoje, pela primeira vez em 8 dias, saí de casa para resolver e comprar algumas coisas essenciais. Saí de carro e com o vidro aberto. Tempos estranhos estes. Como tudo mudou numa semana. É como um inimigo a aproximar-se. E este, ainda por cima é ninja. Não se deixa ver.

Hoje, dia 21 de Março, sem coronavírus, deveria estar com o meu escritório cheio de gente boa e a partilhar informação e experiências sobre gestão de redes sociais e estratégia digital. É claro que eu sabia desta data, mas foi preciso o meu calendário/agenda soltar uma notificação, para me dar uma espécie de notificação de realidade. Não resisti e abri pela primeira vez o calendário esta semana. Senti uma nostalgia a sério. Ontem deveria ter recebido o Noiserv no meu escritório, ontem era suposto ter jantado com os meus amigos, numa tertúlia que temos. Na próxima 3a feira deveria estar sobre viagens numa escola, na 4a deveria estar a voar para a ilha do Pico (Açores), no fim de semana deveria estar a receber a Raquel Ochoa no meu escritório, para mais uma conversa e workshop. Só assim por alto. Em Abril tinha planeado passar a Páscoa a Castelo de Vide, jantares em Oleiros e uma viagem para a Grécia. Só assim por alto. Não é o mais importante, porque tudo isto não é sobre mim, nem sobre a minha vida. É sobre todos nós. Sobre o mundo. Mas custa ter a vida em suspenso e sem previsão de retorno. E quando retornar, sem saber muito bem como a vou encontrar.

Felizmente, e isto é que é mesmo o mais importante, a Alice está melhor. Vê-la bem, é como uma lufada de ar fresco num espaço confinado.

Hoje foi publicado um texto no Público (podem ler aqui),um pequeno texto escrito por mim. Onde eu e outras pessoas ligadas ao tema “viagem”, soltamos palavras sobre estes novos tempos onde a viagem, pura e simplesmente, não pode existir. Gosto de ver histórias espalhadas em lugares interessantes como o Público, mas esta história, realmente, foge muito aos meus temas e prosa âncora. Foi uma espécie de misto de sentimentos. Por um lado satisfação por passar a minha mensagem e por ver-nos, eu e a minha Alice, num jornal de referência (sim, para recordarmos quando ela for mais velhinha). Por outro lado, bem o outro lado nem é preciso dizer. Hoje nem tive a minha mãe a ligar-me a dizer “filho, estás no jornal!!”, como sempre faz. Foi o melhor que ela fez, não sair de casa.

Hoje, pela primeira vez em 8 dias, saí de casa para resolver e comprar algumas coisas essenciais. Saí de carro e com o vidro aberto. Tempos estranhos estes. Como tudo mudou numa semana. É como um inimigo a aproximar-se. E este, ainda por cima é ninja. Não se deixa ver.

22 de Março – dia 9

Mais um dia.

Levantar, arrumar o que está por arrumar, ir ao lixo, pela necessidade e pelo momento. Nunca pensei que, algum dia da minha vida, ir ao lixo se transformasse num momento alto e aguardado. Pequeno almoço. Alice, Alice e Alice. Almoço. Sesta da Alice. Aproveitar para trabalhar e alimentar o corpo de silêncio. A Alice acorda. Lanche. Brincar com a Alice, banho da Alice e jantar da Alice. A Alice vai dormir. E nós também. Muito resumidamente é isto. Uma benção ainda maior para a Alice. Por ocupar os nossos dias. Pelas coisas triviais, que nos ocupam e exigem. Mas também pela esperança que a sua boa disposição, ingénua e genuína, nos dá. Uma injeção de positividade em tempos sombrios. Sim, uma benção.

Hoje, na minha cidade, surgiu o primeiro caso positivo. Que passe pela infecção com a maior leveza possível, é o que desejo. E que soem os alarmes para todos os outros. Isto não é coisa só da TV ou da internet. É real. E, de uma forma mais ou menos intensa, mais ou menos direta, vai-nos tocar a todos. Cuidem-se. Por vós e por todos. Todos fazemos parte desta história, todos temos o nosso papel nela.

Mais um dia.

Levantar, arrumar o que está por arrumar, ir ao lixo, pela necessidade e pelo momento. Nunca pensei que, algum dia da minha vida, ir ao lixo se transformasse num momento alto e aguardado. Pequeno almoço. Alice, Alice e Alice. Almoço. Sesta da Alice. Aproveitar para trabalhar e alimentar o corpo de silêncio. A Alice acorda. Lanche. Brincar com a Alice, banho da Alice e jantar da Alice. A Alice vai dormir. E nós também. Muito resumidamente é isto. Uma benção ainda maior para a Alice. Por ocupar os nossos dias. Pelas coisas triviais, que nos ocupam e exigem. Mas também pela esperança que a sua boa disposição, ingénua e genuína, nos dá. Uma injeção de positividade em tempos sombrios. Sim, uma benção.

Hoje, na minha cidade, surgiu o primeiro caso positivo. Que passe pela infecção com a maior leveza possível, é o que desejo. E que soem os alarmes para todos os outros. Isto não é coisa só da TV ou da internet. É real. E, de uma forma mais ou menos intensa, mais ou menos direta, vai-nos tocar a todos. Cuidem-se. Por vós e por todos. Todos fazemos parte desta história, todos temos o nosso papel nela.

23 de Março – dia 10

10 dias em casa. Esse número redondo. Farto de estar aqui. Preocupado com o que se passa lá fora. Angustiado com que o caminha para nós. Sinto-me quase como Jon Snow, na Guerra do Tronos, quando percebeu que o winter is coming.

Valem as rotinas e as tecnologias. Aquelas que nos desinformam, são as mesmas que nos aproximam. Facebook, whatsapp, instagram, hoje, mais do que outra coisa qualquer são canais afetivos. Sem eles tudo seria muito mais difícil.

Hoje, durante a manhã e enquanto trabalhava no escritório, a mãe Liliana passava à minha frente carregada de garrafões de água. Ia regar as flores da varanda do piso de cima. Atrás dela ia a Alice. Contente da vida, meio a cantar, meio a dançar, e com a mochila da escola nas costas. Talvez seja o paralelo que ela encontrou como substituição da rotina das saídas para a escola. Ela tem 19 meses. Não sabe o que se está a passar. Mas o cérebro dela, com códigos diferentes, lá lhe deve informar que algo se passa, de muito diferente. Tal como todos nós, tem que se adaptar para viver com isto da melhor forma. Porque a adaptação faz parte da nossa natureza mais primitiva. E porque nas últimas semanas temos levado uma banhada de “natureza”, que nos tem revelado que afinal somos humanos, frágeis e vulneráveis, e que muitas vezes temos de recuar no tempo, e olhar para receitas antigas de sobrevivência, para sobreviver.

10 dias em casa. Esse número redondo. Farto de estar aqui. Preocupado com o que se passa lá fora. Angustiado com que o caminha para nós. Sinto-me quase como Jon Snow, na Guerra do Tronos, quando percebeu que o winter is coming.

Valem as rotinas e as tecnologias. Aquelas que nos desinformam, são as mesmas que nos aproximam. Facebook, whatsapp, instagram, hoje, mais do que outra coisa qualquer são canais afetivos. Sem eles tudo seria muito mais difícil.

Hoje, durante a manhã e enquanto trabalhava no escritório, a mãe Liliana passava à minha frente carregada de garrafões de água. Ia regar as flores da varanda do piso de cima. Atrás dela ia a Alice. Contente da vida, meio a cantar, meio a dançar, e com a mochila da escola nas costas. Talvez seja o paralelo que ela encontrou como substituição da rotina das saídas para a escola. Ela tem 19 meses. Não sabe o que se está a passar. Mas o cérebro dela, com códigos diferentes, lá lhe deve informar que algo se passa, de muito diferente. Tal como todos nós, tem que se adaptar para viver com isto da melhor forma. Porque a adaptação faz parte da nossa natureza mais primitiva. E porque nas últimas semanas temos levado uma banhada de “natureza”, que nos tem revelado que afinal somos humanos, frágeis e vulneráveis, e que muitas vezes temos de recuar no tempo, e olhar para receitas antigas de sobrevivência, para sobreviver.

24 de Março – dia 11

A noite caiu. Mais um dia que se passou.

Hoje levei uma banhada de Alice. Uma das boas. Levantámo-nos ainda não eram 8h. Na escala de serviço aqui de casa, hoje ficou combinado a mãe Liliana fechar-se no escritório e organizar as coisas do seu trabalho. Eu e a Alice estávamos por nossa conta. Legos, Vampirina, pinturas, Minnie, bolhas de sabão, Panda, plasticina, Heidi. A sequência foi mais ou menos esta. Tentámos que o tempo à frente do ecrã seja mínimo ou nulo, mas a sanidade e os recursos, pelo menos hoje, não evitaram o efeito imagens e barulho.

Vale-me a Alice, com uma pedra preciosa em tempos de dificuldade. Não consigo não ter sorrisos sinceros para ela. Porque, na verdade, mesmo com todos problemas, não me posso queixar muito. Saúde e amor, e tudo o resto resolve-se. Sempre foi a minha máxima quando tinha a “barriga cheia” de vida e viagens (e trabalho). Em tempos difíceis confirmo. É o mais importante. Mas entre todos os sorrisos, danças e cantigas, existe sempre o sorriso amarelo da preocupação. Muitos de vós devem estar a passar pelo mesmo. Criei O Meu Escritório é lá Fora! há 8 anos. Há 4 criei uma empresa com o mesmo nome. Hoje tem 3 funcionários, um escritório (físico), 4 marcas e uma perspectiva de futuro muito diferente do que eu imaginei, há 8 anos e há 4 anos. Como empresa, todos os anos tem crescido. Mais trabalhos, mais projetos, mais faturação, mais investimento. Este ano, mais uma vez, preparava-se para crescer ainda mais. O ano estava a correr muito bem, não só em número de trabalhos, mas, sobretudo, no desafio, projeção e entusiasmo associado aos referidos trabalhos. De um dia para o outro, não foram cancelados ou adiados metade dos trabalhos, nem um terço. Foram adiados todos os trabalhos que estavam ou iam acontecer. Todos. A verdade pura e crua de quem tem um trabalho lá fora. O escritório (site) continua aberto, e com muitas visitas, mas esse é só o resultado final ou a montra de todo o trabalho. Agora é entrar em modo sobrevivência (empresarial), para estar vivo (a empresa) quando tudo isto acabar. Porque, como já disse, trabalho não me falta, está é tudo na pausa por tempo indeterminado (e o tempo indeterminado, associado a uma incerteza sem calculo possível, é que me lixa a sanidade empresarial). Trouxe os sonhos para casa. Talvez seja o mais importante. Continuo a sonhar muito. A solução ou adaptação vai aparecer. Vai ser, talvez, a viagem mais difícil até aqui. Mas vai ter que ser feita e concluída com êxito.

Mas, e em jeito de conclusão sincera, volto ao mesmo principio inicial. Mais importante? Saúde e amor. O resto, com maior ou menor dificuldade, tudo se resolve.

Desculpem o desabafo, mas este não é um diário, história ou crónica de viagem, onde tudo parece perfeito. Este é um diário, real, de um tempo muito complicado. Para mim e para todos. Por isso, e para todo este sacrifício valha a pena, cuidem-se. Não sejam egoístas. Fiquem em casa o maior tempo possível. Saiam apenas para o indispensável. E o indispensável não é ir beber café e comer um pastel de nata, ou passear na praia. Isto é sério.

A noite caiu na minha casa e na minha cidade. Até amanhã.

A noite caiu. Mais um dia que se passou.

Hoje levei uma banhada de Alice. Uma das boas. Levantámo-nos ainda não eram 8h. Na escala de serviço aqui de casa, hoje ficou combinado a mãe Liliana fechar-se no escritório e organizar as coisas do seu trabalho. Eu e a Alice estávamos por nossa conta. Legos, Vampirina, pinturas, Minnie, bolhas de sabão, Panda, plasticina, Heidi. A sequência foi mais ou menos esta. Tentámos que o tempo à frente do ecrã seja mínimo ou nulo, mas a sanidade e os recursos, pelo menos hoje, não evitaram o efeito imagens e barulho.

Vale-me a Alice, com uma pedra preciosa em tempos de dificuldade. Não consigo não ter sorrisos sinceros para ela. Porque, na verdade, mesmo com todos problemas, não me posso queixar muito. Saúde e amor, e tudo o resto resolve-se. Sempre foi a minha máxima quando tinha a “barriga cheia” de vida e viagens (e trabalho). Em tempos difíceis confirmo. É o mais importante. Mas entre todos os sorrisos, danças e cantigas, existe sempre o sorriso amarelo da preocupação. Muitos de vós devem estar a passar pelo mesmo. Criei O Meu Escritório é lá Fora! há 8 anos. Há 4 criei uma empresa com o mesmo nome. Hoje tem 3 funcionários, um escritório (físico), 4 marcas e uma perspectiva de futuro muito diferente do que eu imaginei, há 8 anos e há 4 anos. Como empresa, todos os anos tem crescido. Mais trabalhos, mais projetos, mais faturação, mais investimento. Este ano, mais uma vez, preparava-se para crescer ainda mais. O ano estava a correr muito bem, não só em número de trabalhos, mas, sobretudo, no desafio, projeção e entusiasmo associado aos referidos trabalhos. De um dia para o outro, não foram cancelados ou adiados metade dos trabalhos, nem um terço. Foram adiados todos os trabalhos que estavam ou iam acontecer. Todos. A verdade pura e crua de quem tem um trabalho lá fora. O escritório (site) continua aberto, e com muitas visitas, mas esse é só o resultado final ou a montra de todo o trabalho. Agora é entrar em modo sobrevivência (empresarial), para estar vivo (a empresa) quando tudo isto acabar. Porque, como já disse, trabalho não me falta, está é tudo na pausa por tempo indeterminado (e o tempo indeterminado, associado a uma incerteza sem calculo possível, é que me lixa a sanidade empresarial). Trouxe os sonhos para casa. Talvez seja o mais importante. Continuo a sonhar muito. A solução ou adaptação vai aparecer. Vai ser, talvez, a viagem mais difícil até aqui. Mas vai ter que ser feita e concluída com êxito.

Mas, e em jeito de conclusão sincera, volto ao mesmo principio inicial. Mais importante? Saúde e amor. O resto, com maior ou menor dificuldade, tudo se resolve.

Desculpem o desabafo, mas este não é um diário, história ou crónica de viagem, onde tudo parece perfeito. Este é um diário, real, de um tempo muito complicado. Para mim e para todos. Por isso, e para todo este sacrifício valha a pena, cuidem-se. Não sejam egoístas. Fiquem em casa o maior tempo possível. Saiam apenas para o indispensável. E o indispensável não é ir beber café e comer um pastel de nata, ou passear na praia. Isto é sério.

A noite caiu na minha casa e na minha cidade. Até amanhã.

25 de Março – dia 12

Hoje fizemos pão. Hoje dançámos ao som do Miguel Araújo (a mãe Liliana é a dj cá de casa) na cozinha.

Hoje fizemos uma lista de compras, talvez a mais racional e planeada da nossa vida em família. Hoje sonhámos e rimos com as viagens que vamos fazer quando tudo isto acabar.

Hoje recebemos, via correio, umas sapatilhas para a Alice, porque ela está a crescer e tudo está a deixar de servir. Hoje, nos raios de sol da manhã, planeamos dar uma nova vida à nossa varanda, acreditamos que a vamos utilizar muito.

Hoje a mãe Liliana vestiu-se como um dia normal. Perfume, maquilhagem e não vestiu fato de treino. A moral, de todos, subiu.

Hoje a Alice descobriu conchas que a mãe Liliana apanhou no Verão passado. Todos sentimos o cheiro a praia. Tão bom.

Hoje sentimos que não foi mais um dia fechados em casa. Hoje sentimos que riscámos um dia da lista, já falta menos um dia para sairmos daqui.

#vaicorrertudobem

Até amanhã.

Hoje fizemos pão. Hoje dançámos ao som do Miguel Araújo (a mãe Liliana é a dj cá de casa) na cozinha.

Hoje fizemos uma lista de compras, talvez a mais racional e planeada da nossa vida em família. Hoje sonhámos e rimos com as viagens que vamos fazer quando tudo isto acabar.

Hoje recebemos, via correio, umas sapatilhas para a Alice, porque ela está a crescer e tudo está a deixar de servir. Hoje, nos raios de sol da manhã, planeamos dar uma nova vida à nossa varanda, acreditamos que a vamos utilizar muito.

 

Hoje a mãe Liliana vestiu-se como um dia normal. Perfume, maquilhagem e não vestiu fato de treino. A moral, de todos, subiu.

Hoje a Alice descobriu conchas que a mãe Liliana apanhou no Verão passado. Todos sentimos o cheiro a praia. Tão bom.

Hoje sentimos que não foi mais um dia fechados em casa. Hoje sentimos que riscámos um dia da lista, já falta menos um dia para sairmos daqui.

#vaicorrertudobem

Até amanhã.

26 de Março – dia 13

Hoje deveria ter chegado aos Açores. Lugar que gosto muito e sobre o qual já fiz 1000 promessas, “quando tudo isto acabar, é para lá que vou”, foi a mais básica.
 
Não sei se por isso ou se por já estar ficar farto de estar em casa, ou se pelo plano “vou organizar e arrumar a casa” estar a fracassar, hoje estou com uma vontade de viajar enorme. Mais do que qualquer outro dia de quarentena.
 
Tinha algumas viagens programadas até Junho. Açores agora, Grécia em Abril e uma viagem de quase mês de comboio, entre Paris e Istambul, pensada para o mês de Maio. Esta última é que está atravessada, com maior intensidade, na minha garganta. Tanto que sonhei com ela. Tem de ficar para depois, como tudo o resto.
 
Hoje chegaram-me a casa algumas encomendas. Revistas. Sou um vibrante consumidor de revistas independentes (a Drift, a Fare Magazine, a Ernest Journal, a Nevoazul e a Sidetracked Magazine). Livros. Dois do Afonso Cruz (Flores e Jesus Cristo Bebia Cerveja) e um do Valter Hugo Mãe (A Desumanização). Quando o carteiro tocou à campainha e percebi o que era, senti-me com um soldado numa trincheira a ver mantimentos a chegar. São alimentos para a minha alma. Pelo andar da carruagem, acho que este stock de alimento não chegar até a guerra acabar.
 
Também recebi umas frigideiras. Talvez não seja uma informação tão importante.
 
Hoje passámos o dia a comer o pão que fizemos ontem. Divinal e vejo um futuro promissor neste dado colateral positivo do coronavírus. Eu e a Alice atrapalhámos mais do que ajudámos. Tínhamos uma grande curiosidade em tocar na massa, quando ela deveria estar a descansar e em silêncio. Acredito que não seja produtivo, de todo. O mérito aqui vai para a mãe Liliana, se quiserem a receita podem pedir-lhe.
Hoje deveria ter chegado aos Açores. Lugar que gosto muito e sobre o qual já fiz 1000 promessas, “quando tudo isto acabar, é para lá que vou”, foi a mais básica.
 
Não sei se por isso ou se por já estar ficar farto de estar em casa, ou se pelo plano “vou organizar e arrumar a casa” estar a fracassar, hoje estou com uma vontade de viajar enorme. Mais do que qualquer outro dia de quarentena.
 
Tinha algumas viagens programadas até Junho. Açores agora, Grécia em Abril e uma viagem de quase mês de comboio, entre Paris e Istambul, pensada para o mês de Maio. Esta última é que está atravessada, com maior intensidade, na minha garganta. Tanto que sonhei com ela. Tem de ficar para depois, como tudo o resto.
 
Hoje chegaram-me a casa algumas encomendas. Revistas. Sou um vibrante consumidor de revistas independentes (a Drift, a Fare Magazine, a Ernest Journal, a Nevoazul e a Sidetracked Magazine). Livros. Dois do Afonso Cruz (Flores e Jesus Cristo Bebia Cerveja) e um do Valter Hugo Mãe (A Desumanização). Quando o carteiro tocou à campainha e percebi o que era, senti-me com um soldado numa trincheira a ver mantimentos a chegar. São alimentos para a minha alma. Pelo andar da carruagem, acho que este stock de alimento não chegar até a guerra acabar.
 
Também recebi umas frigideiras. Talvez não seja uma informação tão importante.
 
Hoje passámos o dia a comer o pão que fizemos ontem. Divinal e vejo um futuro promissor neste dado colateral positivo do coronavírus. Eu e a Alice atrapalhámos mais do que ajudámos. Tínhamos uma grande curiosidade em tocar na massa, quando ela deveria estar a descansar e em silêncio. Acredito que não seja produtivo, de todo. O mérito aqui vai para a mãe Liliana, se quiserem a receita podem pedir-lhe.

27 de Março – dia 14

Hoje decidi ir dar caminhada. Só em volta do meu bairro. Eram 7h45 quando saí. 8h15 quando voltei. Fi-lo pela minha sanidade e, sobretudo, pelas minhas costas. Já não aguentava com dores e já não existia voltaren que me valesse. Preciso de algum exercício físico para todo o meu equilíbrio.

Não sei se foi um alinhamento de astros ou outra coisa qualquer, mas resultou.

Com a Alice em casa é difícil levantar depois das 6h30, parece uma sirene de energia, a fazer lembrar as 4h da tarde. Portanto a caminhada foi feita já com o pequeno almoço tomado e quase meio dia de trabalho feito. Basicamente contornei os prédios do meu bairro, pronto para afastar de tudo o que era gente e pronto para não tocar em nada. Não me cruzei com ninguém, não toquei em nada (tenho um comando que abre a porta). Em quase 15 dias foi a primeira vez que saí assim, pelo meu pé, e a uma distância maior que um contentor do lixo. Eu sei que era cedo, e num dia normal, provavelmente, também não me iria cruzar com ninguém, mas senti-me num cenário de guerra. Dizem que o medo da guerra se sente no ar, que o ar flui mais carregado. Foi isso que senti. Eu senti que é a minha mente que transporta este medo. O ar, provavelmente, até está mais limpo que nunca, com a diminuição de…tudo (o que, quando isto acabar, também nos deve pôr a pensar). Mas sentir medo, insegurança, falta de controlo no seu estado mais primário, é estranho. Muito estranho.

Regressado a casa. Foi, mais uma vez, um loop de Alice. Brincar, pintar, dar banho, vestir, brincar, pintar, fazer o almoço, almoçar, dormir. É cansativo? É. Mas é tão bom. Mais tarde vamos falar-lhe deste momento que vivemos. Ela não se vai lembrar, mas acredito que esta experiência também vai moldar um pouco o seu crescimento a curto prazo. Mais que não seja por estar (ir) viver com o pai e mãe (e mais ninguém) 24h por dia, em poucos metros quadrados. Coisa que seria impossível de acontecer num cenário normal. Espero que, dentro de todo o mal desta situação, esse ponto seja bom para ela. E para nós, que temos o prazer de a ver crescer ao segundo.

Hoje à noite, quando o silêncio tomar conta da casa, vou começar nos meus livros. Será como iniciar uma viagem imaginária. Ansioso.

Hoje decidi ir dar caminhada. Só em volta do meu bairro. Eram 7h45 quando saí. 8h15 quando voltei. Fi-lo pela minha sanidade e, sobretudo, pelas minhas costas. Já não aguentava com dores e já não existia voltaren que me valesse. Preciso de algum exercício físico para todo o meu equilíbrio.

Não sei se foi um alinhamento de astros ou outra coisa qualquer, mas resultou.

Com a Alice em casa é difícil levantar depois das 6h30, parece uma sirene de energia, a fazer lembrar as 4h da tarde. Portanto a caminhada foi feita já com o pequeno almoço tomado e quase meio dia de trabalho feito. Basicamente contornei os prédios do meu bairro, pronto para afastar de tudo o que era gente e pronto para não tocar em nada. Não me cruzei com ninguém, não toquei em nada (tenho um comando que abre a porta). Em quase 15 dias foi a primeira vez que saí assim, pelo meu pé, e a uma distância maior que um contentor do lixo. Eu sei que era cedo, e num dia normal, provavelmente, também não me iria cruzar com ninguém, mas senti-me num cenário de guerra. Dizem que o medo da guerra se sente no ar, que o ar flui mais carregado. Foi isso que senti. Eu senti que é a minha mente que transporta este medo. O ar, provavelmente, até está mais limpo que nunca, com a diminuição de…tudo (o que, quando isto acabar, também nos deve pôr a pensar). Mas sentir medo, insegurança, falta de controlo no seu estado mais primário, é estranho. Muito estranho.

 

Regressado a casa. Foi, mais uma vez, um loop de Alice. Brincar, pintar, dar banho, vestir, brincar, pintar, fazer o almoço, almoçar, dormir. É cansativo? É. Mas é tão bom. Mais tarde vamos falar-lhe deste momento que vivemos. Ela não se vai lembrar, mas acredito que esta experiência também vai moldar um pouco o seu crescimento a curto prazo. Mais que não seja por estar (ir) viver com o pai e mãe (e mais ninguém) 24h por dia, em poucos metros quadrados. Coisa que seria impossível de acontecer num cenário normal. Espero que, dentro de todo o mal desta situação, esse ponto seja bom para ela. E para nós, que temos o prazer de a ver crescer ao segundo.

Hoje à noite, quando o silêncio tomar conta da casa, vou começar nos meus livros. Será como iniciar uma viagem imaginária. Ansioso.

28 de Março – dia 15

Mais um dia, igual a muitos outros.

Hoje, completamos 15 dias de isolamento. Estamos mais pálidos, saturados e até mesmo enervados. Já vimos alguns filmes, já tentámos ler livros, já multiplicámos a nossa lista de receitas. Já rimos (muito) e já quase chorámos. Já arrumámos a casa, mas também já a desarrumámos. Já desejámos muito sair de casa, mas também já agradecemos muito estar aqui. Já gastámos baterias em chamadas de whatsapp e afins, e já desejámos o silêncio dentro do silêncio. A Alice já deve estar mais alta uns dois centímetros e já consegue contar até três. Neste tempo passei a adorar tarefas que detestava, como ir ao lixo ou regar as flores.

 

15 dias que pareceram uma eternidade.

Os dias de quarentena são assim, complexos. Onde o mais importante é a nossa saúde estar numa linha constante e positiva. E podermos ligar aos nossos e eles responderem do outro lado que também está tudo bem. Tudo o resto se resolve.

Venham mais 15 dias.

Mais um dia, igual a muitos outros.

Hoje, completamos 15 dias de isolamento. Estamos mais pálidos, saturados e até mesmo enervados. Já vimos alguns filmes, já tentámos ler livros, já multiplicámos a nossa lista de receitas. Já rimos (muito) e já quase chorámos. Já arrumámos a casa, mas também já a desarrumámos. Já desejámos muito sair de casa, mas também já agradecemos muito estar aqui. Já gastámos baterias em chamadas de whatsapp e afins, e já desejámos o silêncio dentro do silêncio. A Alice já deve estar mais alta uns dois centímetros e já consegue contar até três. Neste tempo passei a adorar tarefas que detestava, como ir ao lixo ou regar as flores.

 

15 dias que pareceram uma eternidade.

Os dias de quarentena são assim, complexos. Onde o mais importante é a nossa saúde estar numa linha constante e positiva. E podermos ligar aos nossos e eles responderem do outro lado que também está tudo bem. Tudo o resto se resolve.

Venham mais 15 dias.

29 de Março – dia 16

Hoje fiz uma espécie de engano mental, para ludibriar a máquina que me faz pensar que estou farto de estar fechado em casa. Enganei-me e pensei que tinha passado a semana fora, que tinha sido uma semana em cheio, daquelas esgotantes e cansativas, onde o desejo maior era que chegasse o fim de semana, para poder estar sentado no sofá e fazer o mínimo. O Sábado é sempre aquela adaptação ao fim de semana. É um misto de sofá e rua. Mas no Domingo, o maior prazer é estar em casa. Foi isso que fiz. Resultou mais ou menos. Não consegui enganar aquela parte irradia, com mais intensidade, pensamentos como:” em quarentena, os dias são todos iguais”. Pelo menos, não trabalhei.

Ontem nem vos disse, os meus vizinhos de baixo organizaram um sunset na varanda. É claro que a minha família também participou. 4 ou 5 famílias, nas suas varandas, brindaram à saúde de todos nós. Ouve música, risadas e vizinhos vestidos de gala, porque, e bem, acharam que ocasião assim o exigia. Foi bom, deu alento. Por norma, às 22h00, todos os dias, encontramos sempre algum vizinho com quem conversar. É bom, simples, e dá alento. É fácil perceber que estamos todos no mesmo barco. E é bom perceber que existem muitas pessoas a remar na mesma direção que nós. Dá alento. No próximo sábado é a minha casa a organizar o sunset. Pessoas do meu bairro, se no próximo sábado, lá paras 7h da tarde, ouvirem música, sou eu. Venham à varanda.

Hoje fiz uma espécie de engano mental, para ludibriar a máquina que me faz pensar que estou farto de estar fechado em casa. Enganei-me e pensei que tinha passado a semana fora, que tinha sido uma semana em cheio, daquelas esgotantes e cansativas, onde o desejo maior era que chegasse o fim de semana, para poder estar sentado no sofá e fazer o mínimo. O Sábado é sempre aquela adaptação ao fim de semana. É um misto de sofá e rua. Mas no Domingo, o maior prazer é estar em casa. Foi isso que fiz. Resultou mais ou menos. Não consegui enganar aquela parte irradia, com mais intensidade, pensamentos como:” em quarentena, os dias são todos iguais”. Pelo menos, não trabalhei.

 

Ontem nem vos disse, os meus vizinhos de baixo organizaram um sunset na varanda. É claro que a minha família também participou. 4 ou 5 famílias, nas suas varandas, brindaram à saúde de todos nós. Ouve música, risadas e vizinhos vestidos de gala, porque, e bem, acharam que ocasião assim o exigia. Foi bom, deu alento. Por norma, às 22h00, todos os dias, encontramos sempre algum vizinho com quem conversar. É bom, simples, e dá alento. É fácil perceber que estamos todos no mesmo barco. E é bom perceber que existem muitas pessoas a remar na mesma direção que nós. Dá alento. No próximo sábado é a minha casa a organizar o sunset. Pessoas do meu bairro, se no próximo sábado, lá paras 7h da tarde, ouvirem música, sou eu. Venham à varanda.

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