Os dias correm depressa, o frio fica à porta de casa, o Natal aproxima-se e os sentimentos ficam assim, mais à flor da pele. Este espírito invernal e natalício deixa-me assim, nostálgico. As viagens e saídas ficam na pausa, porque, para mim, nada é mais importante que família. E quando falo em família, não falo só das minhas meninas, Alice e Liliana, falo de todos aqueles que me são queridos. Adoro jantares de natal, mercados de natal, adoro fazer a árvore de natal, adoro aquele sentimento difícil de adjectivar, mas que o sinónimo mais próximo é casa. Sim, essa palavra mágica, tantas vezes menosprezada. Sinto-me feliz e não sinto um desejo maior de estar em outro lugar do que na minha Abrantes. Tudo parece perfeito, mas não é. Sinto saudades de estar em viagem. Mas não maiores do que aquelas que teria, caso estivesse em viagem, de casa. Esta coisa de não sermos perfeitos é um desafio.

Sempre fui assim, romântico. Mas desde que a Alice nasceu a coisa agravou-se. Depois de ter estado 15 dias fechado num quarto, doente (varicela, raios partam essa doença), sem ver a Alice, e com o espírito natalício a despontar a coisa ainda se tornou pior. Verifiquei isso, quando voltei a estar com a Alice, após o período de reclusão. Até com a música do Aladino quase chorei. Sim, do Aladino, nem foi preciso chegar ao Rei Leão. Isto para verem como eu “caminho” nesta época.

Mas ao mesmo tempo, sinto muita vontade de viajar. De viver aventuras, de conhecer novos lugares, de plantar novas memórias e ter novas histórias para contar (isto apesar de ter aqui na gaveta 150 histórias novas, prontas a serem lançadas). Acho que as mentes inquietas são assim, o conforto nunca é total. O assentar e rotina, não são palavras bem aceites. Apesar de este ano ter sido um ano bem rico em viagens. Estive em Marrocos, na India, em Malta, no Israel, umas 5 vezes nos Açores, para além das 1000 descobertas em Portugal (continental). Mas parece que o muito nunca será suficiente.  

Mas ao mesmo tempo, só de pensar em viajar, já sinto saudades de casa. Esta coisa de ser uma pessoa não é fácil. Numa conversa recente com um amigo, falávamos sobre o que tinha mais poder neste mundo. A conclusão dele foi o dinheiro. A minha foi o amor. Para mim, tudo gira de uma forma mais poderosa à volta das nossas sensações. E esta coisa da saudade é bem poderosa.

As viagens provocam saudade. É difícil estar longe dos nossos. É difícil estar muito tempo sem viajar. Mas no final, e voltando ao amor, sentir saudades até pode ser uma coisa boa. É sinal que se gosta. E que, neste caso, temos algo de muito bom à nossa espera. Seja um beijinho da nossa filha lindíssima, ou uma aventura num endereço desconhecido.