24 Horas Fronteira. Aquele momento romântico, onde 80 carros todo-o-terreno, se juntam numa pequena vila do Alto Alentejo, para, entre si, competirem durante 24 horas. Isto é romântico, não é? Para mim, é.

Mais um ano, em que junto dos meus amigos “lá da minha terra” fugimos do Mundo real e acampámos em Fronteira. É uma espécie de universo paralelo. Quase como receber um convite para outra dimensão, ao estilo Harry Potter. Recebemos uma coordenada e uma data, e uma data de gente do país, se junta para fazer uma festa num plano alternativo. Se no caso do Harry Potter, é preciso ser mágico para aceder a Howgarts. No caso das 24 Horas de Fronteira, nem é imperativo gostar-se de carros e de corridas, para desfrutar do momento. O difícil vai ser sair de lá, sem o bicho dos carros emaranhado no coração. É muito mais do que uma corrida. Qualifico, este evento, como um verdadeiro convívio, à boa moda portuguesa. 

Embora a duração da corrida seja 24 horas. A edição deste ano, para mim, durou 48 horas. Uma espécie de edição especial. Cheguei ao início da tarde, de 6a feira, a Fronteira. Voltei para casa no Domingo. A prova aconteceu entre as 14h de Sábado e as 14h de Domingo. Dormi numa tenda, incluída numa espécie de condomínio onde também estavam as restantes “moradias” dos meus amigos. Este nosso condomínio estava englobado num gigante resort selvagem, chamado: zona espectáculo 2. Mais conhecido, como: zona da ribeira (a ribeira este ano não apareceu). Muitas vezes digo que se o Emir Kusturica, conhecido realizador de filmes alternativos, vivesse as 24 Horas de Fronteira, saí de lá com inspiração, não para um filme, mas para uma saga. Nos, portugueses, não somos melhores, mas somos certamente especiais. E quando se juntam, cerca 50 mil, para assistir a uma corrida, onde não interessa quem ganha, que dura 24 horas, instalados num acampamento selvagem, onde, em apenas 24h horas, se criam ruas e condomínios. Nos quais acontecem jantares e banquetes, onde a verdadeira competição é quem trás o melhor vinho. Depois ainda existem sistemas de aquecimento improvisados, que desafiam quase todas as leis da física, mas que se mostram eficazes, e casas de banho, com criativos (e naturais) métodos de escoamento. Tudo isto sem brigas, confusões ou coisas negativas. É uma sociedade que se cria e extingue passado 24 horas (ou 48). Acho que este 24 Horas Fronteira, deveria ser alvo de um estudo. Não por mecânicos, mas por sociólogos. 

Tal como já escrevi. Cheguei na 6a feira. Na verdade a viagem começou na 5a feira. Recolher o material. Tenda, mantas (porque no ano anterior tinha passado um frio medonho), navalhas e ferramentas. E comida e bebida. Acho que todos cumprem este ritual. Ali não existem bungalows para alugar, nem restaurantes (quer dizer, existe o senhor do pão com chouriço e o dos kebabs). Depois de chegar, é encontrar o lugar para acampar, montar o material e acender a fogueira, típico. Acho que ano após ano, os lugares parecem marcados. Os nossos vizinhos eram os meus do ano passado. E dos os condomínios icônicos permanecem nos mesmos lugares. Adoro aquele que está junto à ponte pedonal, onde um elemento mítico desse acampamento, faz, do alto do seu altifalante, uma espécie de relato satírico da prova. É impossível cruzar a estrada sem uma boa dose de risada. 

Com uma energia muito própria, depois de o material pronto, é sempre tempo de passear pela aldeia. Visitar os condomínios amigos. Muitos dos amigos, são mesmo amigos da nossa terra, mas acabamos por estar mais tempo juntos em Fronteira do que noutro lugar qualquer, um lugar de reencontros, portanto. Provar o seu vinho e comer o seu pão (sempre de boa vontade). Este movimento é dos primeiros a ser feito, mas repete-se ao longo do tempo, vezes sem conta. Onde a despedida, não é com um adeus, mas sim “depois, mais tarde, passem pelo no nosso estaminé”. As noites são sempre mal dormidas, ora com o barulho dos carros, que não param, ora com a buzina do condomínio dos sozinhos. Não isso não importa. Lá está, sabemos que aquela sociedade se extingue passadas 24 horas. Todos os males são sempre relativos e levados de ânimo leve.

Pelo meio e muito de vez em quando, lá vamos ver os carros. O suficiente para valorizarmos e idolatramos a malta do volante. Eu nunca tive um gosto especial por carros. A primeira vez que conduzi foi na minha primeira aula de condução e o meu jogo favorito, sempre foi o FIFA e não o Colin McRae. Agora, muitas vezes, digo para mim próprio: “qualquer dia, não vens ver a corrida, vens participar”. Quem sabe. Ainda não é um sonho, é apenas um pensar em voz alta. Se passar a sonho, vão ter de gritar pelo meu nome na pista. 😉 

Ainda não sei a data do próximo ano. Mas a minha presença e dos outros 50 mil, é quase garantida. É uma corrida, um fim de semana, especial……Ah! Quem ganhou a prova foram uns rapazes da Letónia, que eu não sei o nome. Era melhor que tivessem ganho uns portugueses, mas isso não é importante. O importante é, como diz o outro, que nem ninguém se aleije. 😉

Até ao 24 Horas Fronteira 2018.

24 horas fronteira

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