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Um fenómeno chamado Fronteira

Só ao nível das peregrinações a Fátima (também gosto de ir a Fátima a pé). Existem fenómenos que nem precisam de muita publicidade (daquela da televisão e dos papeis no vidro do carro) para terem um sucesso imenso e são terrivelmente difíceis de explicar. Estive no fim de semana passado no 24h de Fronteira. Um fenómeno para quem gosta (e também para quem não gosta muito) de carros.

100 carros todo-o-terreno (tipo jipes artilhados e assim), um percurso, pelo meio do mato, com 16km e inicio (e fim) em Fronteira (essa bela localidade do Alentejo). Objetivo: fazer o máximo de quilómetros em 24h (quem fizer mais, ganha, simples). É belo desafio, uma verdadeira prova romântica e sem idade (não é coisa de uma era tecnológica). Supostamente, isto deveria ser o mais importante, mas não é. Aqui, a romaria ganha e o convívio entre os espectadores é um verdadeiro caso de estudo. Não interessa quem ganha (tirando os familiares e amigos, aqui não há equipas). Ninguém chama nomes feios a ninguém. Se um piloto tiver o azar de avariar o carro (em plena competição), em frente a uma zona de espectadores, (os espectadores) só não colocam peças do seu carro se não conseguirem, para ajudarem o piloto, do qual, provavelmente, nem o nome sabem, a continuar em prova. 

Eu percebo pouco de carros. Gosto de conduzir. Mas se me aparece uma luz nova ligada, a vontade que me dá, é chamar logo a assistência em viagem. Mas para ser aficionado de Fronteira isso pouco importa. Só interessa uma coisa. Ser um gajo(a) bem disposto. 

Tal como disse, a prova dura 24h horas e não vale ir lá “umas horinhas”, a grande parte da malta vai com força nas 24h. Nas chamadas zonas de espetáculo, mais do que o espetáculo proporcionado pelos carros (embora isso também aconteça), é ver o espetáculo proporcionado por essa raça única a nível mundial. O chamado: português. Somos um espetáculo! Entre acampamentos dignos dos mais hilariantes filmes, grelhadores que são umas autênticas obras de arte (deveria existir um prémio para o melhor grelhador), garagens improvisadas para colocar as motas para se deslocarem no acampamento (sim, isto dura só um fim-de-semana), sofás com vista para a pista, petiscos dignos das ruas mais movimentadas de Banguecoque, aguardentes, abafados e moscatéis (chega uma altura que parece que estamos numa prova de vinhos), com jeitinho ainda se assiste a um concerto improvisado de Cante Alentejano (esse que é património), e mais umas 1000 coisas, que por muito que gostem de carros, duvido que os suecos ou finlandeses façam. Ah, enquanto tudo isto acontece os carros não param. 24h sempre a rodar.

Isto é mesmo difícil de explicar. Normalmente diz-se “só vendo” ou “só vivendo”, mas depois explica-se “olha, foi assim”. Mas justificar que milhares e milhares de pessoas (incluíndo eu), passam 24h no meio do mato, com chuva, vento e frio, num terreno aberto, sem casas de banho, com lama até ao joelho, em que carros são fixes, mas, são “só” um pretexto, e, que no final disto tudo, se passe um fim-de-semana memorável. É difícil. Acho que neste tem que se aplicar mesmo a máxima de “só vivendo”.

A todos os que foram este ano, até para ano! (sim, é difícil não voltar)

Pequena nota mental: para o ano levar um oleado para colocar em cima da tenda, porque se chover muito ensopa e a água entra dentro da tenda e é uma situação, digamos que, um bocado chata. 😉

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