Marrocos, Maio de 2017

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Estive em Marrocos no inicio do mês de Maio. Confesso que ainda sonho com esse pedaço do Mundo. Entranhou-se em mim de uma maneira que não imaginei. Já me tinham avisado, mas eu não acreditei (mas depressa vi que estava muito enganado).

No inicio de Abril recebo um e-mail do Turismo de Marrocos a convidar-me para uma viagem pelo Sul de Marrocos. Recebo tantos e-mails com convites, que nem lhe dei a importância devida no momento. Só uns dias mais tarde é que olhei bem para aquilo, alinhei com a minha agenda, e lancei um “porque não?”. Mais uma vez confesso, sem expectativas elevadas. Talvez por gostar de ser eu a organizar as minhas viagens, e neste caso a viagem iria ser organizada por outros. Ou talvez por andar a prometer levar a Liliana a Marrocos há um tempo e agora ia para lá sem ela (sim, fui a medo contar-lhe que ia para Marrocos sem ela 😉 ). O que é certo é que lá confirmei a minha presença e no dia marcado lá estava no Aeroporto.

Embarquei em direção a Casablanca e logo depois, novo voo em direção a Errachidia, quase junto à fronteira Sul com a Argélia. Este nosso Mundo é mesmo um lugar especial. Pouco mais de 1h de viagem liga Lisboa a Casablanca. E que diferenças. No tempo, nos cheiros, nas paisagens, nas pessoas e nem vou falar em cultura. 

Os primeiros dois dias foram divididos entre Errachidia e Merzouga. Errachidia, apesar de distante, já tem uns traços ocidentais. Merzouga é deserto puro, com mais oficinas, para a malta do todo o terreno, que cafés  (no google maps é ali que acaba a estrada e começam as dunas). Pelo meio, bem pelo meio é Marrocos no seu estado mais puro. Deserto árido, seco e sem dunas, a contrastar com verdejantes oásis, onde até das pedras parecem nascer palmeiras. Que contraste impressionante e constante. Existem muitos e longos oásis por ali. Nas aldeias mais pequenas, onde todas as casas parecem (ou estão) inacabadas. Quase todas da mesma cor, a cor da terra. A experiência visual é intensa, sobretudo pela gigante diferença do que os meus olhos estão habituados a ver. Facilmente percebi que os nossos luxos ocidentais, são aquelas pequenas coisas às quais não da-mos o devido valor e que talvez o maior bem universal, que é o amor e a família, seja aqui intensificado, por ausência de muitos “ocidentalismos”. E pegando no amor e nas relações pessoais, menciono já o carinho extremo que em toda a viagem recebi por parte dos locais. Sejam eles berberes, muçulmanos ou sem religião, senti, sempre, uma generosidade gigante por parte de quem me recebeu. Digo sempre isto, numa viagem o que faz a diferença não são as paisagens, mas sim as pessoas. 

Estes dois dias foram repartidos entre a estrada e a mesa. Onde a tajine de borrego imperou nas refeições, quase como elemento obrigatório. Confesso que borrego não é o que mais gosto, mas isso em viagem nem importa, gosto de comer como os locais, e se eles comem borrego, venha de lá o borrego (e soube-me bem, estava a viajar). Pelo meio ainda dormi num palácio do deserto (que ficava num oásis), andei de camelo (que parecia uma girafa) e vi o pôr do sol nas dunas de Merzouga. Sim, as dunas são algo difícil de explicar. A imponência e grandiosidade, a cor dourada da areia, o vento a modelar constantemente a paisagem, o silêncio, o céu parece que fica maior. Agora percebo o fascínio de muitos pelo deserto.

Os dias seguintes foram passados entre Zagora e Ouarzazate. Dormi numa tenda no deserto de Tinfou. Visitei um ksar (uma espécie de castelo) comunitário, onde vivem cerca de 80 famílias e tem um pequeno rei (muito simpático, uma espécie de presidente da junta empreendedor lá do sítio). Onde desejei viver durante uns tempos, de tão genuinamente bom que pareceu aquele lugar. Conheci o Ksar Aït-Ben-Haddou, Património da Humanidade, de uma beleza quase indescritível e cenário de filmes como o Gladiador ou Prince of Persia. “Mergulhei” nas imponentes Gargantas do Todra. Atravessei o Altas. No mesmo plano de visão, vi o amarelo do deserto, o verde do oásis e o branco da neve (impressionante!). Comi mais tajines e bebi chá como quem bebe água (o menta é divinal). Guardei o melhor para o final. Perder-me no mercado de Ouarzazate. Adoro mercados! Tanto faz ser em Marrocos como na China. Como adorei andar por ali. A regatear, a comprar brincos, pulseiras e fios (para a Liliana, claro, não podia chegar a casa de mãos a abanar), a beber sumos de laranja, a cheirar as especiarias, a falar com o Omar, um marroquino do mais simpático que existe e vendedor como nunca vi igual, a ser perseguido por um vendedor de tapetes. Tanta coisa boa. Parecia que estava num parque de diversões, no meu parque de diversões.

Ao quinto dia de Marrocos, era do dia de voltar para casa. Mais um voo interno, desta vez de Ouarzazate para Casablanca. E depois de Casablanca para Lisboa. Passou a correr, fica mesmo ali ao lado. Ao terceiro dia de Marrocos já tinha enviado uma mensagem à Liliana a dizer “prepara as malas! Em Outubro vamos a Marrocos!” Sim, vou voltar a Marrocos (Marrakech) com a Liliana. Em versão romântica. Adoro este lugar. Adoro viajar.

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