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O Meu Escritório em Abrantes

Sou Abrantino, sou Rossiense (sendo estes as duas últimas peças da boneca Matrioska da minha naturalidade). Adoro a minha terra e nunca desejei ser de outro lugar. Por gostar e sentir tanto a minha terra, já lhe estava a dever um guia sobre o que eu acho que ela tem de melhor.

Considero Abrantes como uma espécie de ilha, banhada por diferentes influências culturais e diferentes regiões naturais. A Sul recebe a influência cultural do Alentejo e Ribatejo, e a Norte da Beira Interior. É dividida a Sul pela Charneca e a Norte pelo Bairro. A estes fatores junto o rio Tejo, que atravessa o concelho, e o rio Zêzere, que o limita a Norte. São cerca de 45km, em linha reta, entre o extremo Norte e o extremo Sul do concelho. Distância suficiente para se enraizarem culturas e paisagens distintas. Diferenças na vegetação, diferenças na gastronomia, e até diferenças no dialeto. Estes fatores fazem de Abrantes um lugar especial, não melhor que outro, mas certamente diferente.

PARA FAZER


Centro Histórico – É o epicentro da coisa. Abrantes tem um centro histórico muito interessante, ainda quase como “diamante por lapidar” ou neste caso por descobrir. Descobrir os recantos das várias praças da cidade e deambular pelas apertadas ruelas da cidade, passar pelo Castelo, o ponto mais alto da cidade, e terminar no miradouro do Outeiro de São Pedro, com uma vista magnifica sobre o Tejo e sobre o Sul do concelho. Se for final de tarde, leve lanche e toalha, que o miradouro é o lugar ideal para um picnic. Se visitar o centro em altura das Festas da Cidade ou em tempo de Creative Camp, a experiência fica mais intensa.

Grande Rota do Zêzere – 42km dos 363km que perfazem o total desta Grande Rota, que liga a nascente do Zêzere (Serra da Estrela) à sua foz (Constância),  de são feitos em pleno concelho de Abrantes. E “só” estes 42km são um percurso lindíssimo, quase sempre com vista para a Albufeira de Castelo de Bode, para ser feito a pé ou de bicicleta. O inicio do percurso é no Penedo Furado (fronteira com o concelho Vila de Rei), passa pela Matagosa (antes de chegar a esta aldeia aconselho um pequeno desvio e subir até ao Cristo Rei da Matagosa), segue caminho até Água das Casas, Fontes (paragem obrigatória no miradouro junto à Igreja, para “ver a vista”), continua até Aldeia do Mato (com duas paragens obrigatórias, uma visita ao miradouro e uma paragem para banhos na praia fluvial), segue até Martinchel, onde finaliza a albufeira e rio volta a encurtar. A GR termina o seu percurso no concelho de Abrantes perto da aldeia de Casal do Rei, mas pode e deve seguir até Constância e assistir à “fusão” do rio Zêzere com o rio Tejo.

Adega e Vinha do Casal da Coelheira – O orgulho vinícola da cidade de Abrantes. Para além de um bom e premiado vinho da região do Tejo, tem uma adega (na aldeia de Tramagal) super interessante e recentemente renovada e, uma vinha à beira Tejo onde se pode assistir a um dos melhores pôr do sol de Abrantes. Vale a visita (é claro que também tem de provar o vinho). 

Zona Ribeirinha – Toda a zona junto a rio Tejo, margem Norte e margem Sul, foi renovada, tornando-se um dos espaços de eleição da cidade. Para passear, para dar uma corrida, para sentar numa esplanada, para deitar na relva, para fazer um picnic, para deixar o tempo passar.

Praia Fluvial da Aldeia do Mato – O titulo vai para a Aldeia do Mato, porque é lá que existe a estrutura (a praia fluvial), mas toda a zona Norte do concelho, junto à Albufeira de Castelo de Bode merece ser explorada. Para banhos, faz corar algumas praias naturais, com vistas de cortar a respiração, entre os vários braços da barragem e ainda pode testar as suas habilidades nos desportos náuticos (canoagem, natação, wakeboard, windsurf, paddle…). Se for no Verão, dizem que as melhores festas de aldeia do concelho são por ali. De dia, sol e mergulhos, de noite, frango assado e um pé de dança.

Explorar o Sul do Concelho – Existe uma razão para esta recomendação estar em último. Uma vez visitado todo o Norte e centro do concelho, vai ficar encantado com a diferença do Sul. O pinhal dá lugar ao montado e entramos na Charneca Ribatejana (paisagem completamente diferente). Zona de fronteira com o Alentejo. Aqui o tempo passa mais devagar.

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PARA COMER


Tasquinha d’Aldeia (Fontes) – Fica no lado Norte do concelho, junto à Albufeira de Castelo de Bode. Ganha o prémio para as melhores entradas, com um molho de alho e salsa servido dentro de um pão caseiro a ser a cereja no topo do bolo. Na escolha do prato, recomendo peixe do rio com açorda de ovas (muito bom).

A Taberna (Alferrarede-Velha) – Funde muito bem o passado com presente. As pessoas são muito simpáticas, a decoração bem conseguida, o espaço é acolhedor (a tal coisa de nos sentirmos como em casa) e comida é muito boa (afinal de contas, é para isso que lá vamos). Ao almoço funciona apenas com 2/3 pratos (tal como uma taberna) e à noite com petiscos (estilo tapas), que eleva o sentido de partilha à mesa, que tanto aprecio.

Restaurante Santa Isabel (Centro Histórico) – Este é um daqueles casos, que tinha sucesso em Abrantes, na China, ou onde quer que fosse. Não é por acaso, que é considerado pelo tripadvisor como um dos melhores do distrito (vale o que vale, mas é sempre uma referência importante). Mais do que um restaurante com boa decoração, acolhedor, com gente simpática e profissional, e comida boa (muito boa), é uma experiência que tem de ser vivida por quem passa por Abrantes. Sempre que lá vou, o polvo panado com arroz de feijão é o prato escolhido. O arroz de feijão é um completo best of.

Túlipa Restaurante (Pego) – Uma verdadeira instituição. Frequento este restaurante há quase 20 anos. E é aqui que levo ao extremo o “sinto-me aqui como se estivesse em casa”. Se as paredes deste restaurante falassem certamente tinham muitas histórias (boas) para contar 🙂 . Foi aqui que tive dos meus melhores momentos à mesa de um restaurante, e tirando as “histórias” , e falando de comida, curiosamente foi aqui (longe do mar) que comi o melhor arroz de marisco da minha vida (adoro arroz de marisco e acreditem que já comi este prato em muitos restaurantes). Tirando os jantares marcados com ementas especiais para amigos, cada vez que lá vou não dispenso um verdadeiro clássico da minha vida gastronómica, a frigideira de lombinhos. Do melhor. 

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PARA DORMIR


Monte da Várzea (Casa Branca, Alvega) – O mais recente turismo rural do concelho. Junto ao rio Tejo, onde existe uma espécie de fusão entre o conforto e uma decoração agradável, e a Natureza. Um refúgio a partir do qual pode (e deve) explorar toda a zona envolvente do Tejo. Para jusante, a Barragem de Belver (recomendo fazer o percurso Arribas do Tejo) e para montante, a cidade de Abrantes (recomendo fazer o percurso Caminho do Tejo).

Vale de Ferreiros (Pego) – Apesar de ser um turismo em espaço rural, fica a cerca de 5km do centro da cidade (natureza com o lado urbano mesmo ao lado). Fica colado ao rio. É quase imperativo referir a ligação que este espaço tem com cavalos (tem um centro equestre). Portanto, se gosta de cavalos, de rio e tranquilidade, a sua escolha está feita.

Quinta da Eira Velha (Aldeia do Mato) – No centro da Aldeia do Mato, com a Albufeira de Castelo de Bode e a praia fluvial a dois passos. Espaço muito agradável, recentemente inaugurado. É super tranquilo e mesmo durante o (mais agitado) Verão existe “espaço” para ouvir os pássaros. O pôr do sol na esplanada sobre a eira, vale a experiência.

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COMPRAS


Drogaria Nova (Centro Histórico) – Uma viagem ao passado com uma visão de futuro. Bem no centro, do centro histórico da cidade, um espaço super boa pinta, onde encontra desde pérolas do passado (Vassoura de Piassaba, por exemplo) a peças ainda a encontrar o seu espaço no futuro. Gente simpática. Paragem obrigatória.

Vinhos Casal da Coelheira – Já recomendei a visita ao espaço, agora recomendo a compra do vinho. O tinto Mythos é o topo de gama e o Casal da Coelheira Rosé o mais premiado, mas minhas escolhas vão para os reservas Tinto e Branco (muito bons). Um verdadeiro souvenir da cidade de Abrantes.

Palha de Abrantes – Confesso que não é o meu doce favorito, mas ir a Abrantes e não comprar Palha de Abrantes, é pior que ir a Roma e não ver o Papa. Recomendo a compra na pastelaria da minha terra (Rossio ao Sul do Tejo), a Pastelaria Tágide (aqui sou suspeito, mas dizem que são as melhores).

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