Toscânia, Itália – 4 dias a viver por lá. Com tudo o que isso implica, sobretudo, comer e beber como quem é de lá. Não foi um mês, nem digo que 4 dias são suficientes ou insuficientes. Foram 4 dias bem vividos. Porquê a Toscânia? Confesso que me sinto bem em Itália, gosto do ritmo da coisa. A Toscânia, no meu imaginário italiano, preenche o espaço dedicado a vinhos e vinha e a paisagens idílicas que me fazem voltar atrás no tempo (ok, não tão atrás como Roma). Estes dois cenários são convidativos para mim em qualquer parte do Mundo, como gosto e me sinto bem Itália, foi uma união (uma visita) que apenas se estranha não ter acontecido há mais tempo. Toscânia no Inverno, boa escolha? Tem sempre o ponto a favor (igual em qualquer do Mundo, numa época baixa, turisticamente falando), de termos mais Toscânia para nós, mas talvez pese na balança o facto de muito do que acontece de bom por lá (adegas, restaurantes, hotéis, eventos, etc), simplesmente não existir no Inverno. Talvez a Primavera e Outono sejam as melhores alturas para uma visita (menos casacos na mala também ajuda).

Partilhei esta viagem (e o Meu Escritório) com o amor da minha vida, a minha querida Liliana. Ela que é uma espécie de elemento sombra no Meu Escritório, a maior crítica do meu trabalho, a pessoa que coloca o dedo na ferida, a pessoa que identifica os erros (são pouquíssimos 😉 ) nos textos e, consequentemente, a pessoa que mais me ajudou a evoluir (como se não bastasse aturar-me todos os dias 😉 ). Citando o viajante/vagabundo Alex Supertramp (aquele do (fabuloso) filme Into the Wild) “a felicidade só é verdadeira quando é partilhada”. Penso que esta citação se adequa na perfeição a esta viagem.

Chegámos ao Aeroporto de Pisa, junto ao Mar, era já noite (tipo final de tarde), estávamos na Toscânia. Primeiro passo, ir levantar o carro que tínhamos alugado (aluguei o carro uma semana antes, online. Quanto mais cedo o fizerem, mais barato fica). Após umas voltas à procura do edifício, lá o encontrámos, como já tinha tudo tratado, nem um minuto demorou, foi receber a chave e ir para o parque procurar o carro. Como foi tão rápido, nem vi a marca do carro que me tinha calhado em sorte (quando aluguei, apenas escolhi uma categoria), mas quando vejo o carro: “um Ford!?”, raciocínio imediato: “espera lá, Itália, país da Ferrari, Lamborghini e Fiat, e calha-me um carro americano!?”, dei meia volta, bati novamente à porta da companhia e saí de lá, com a chave de um Fiat 500x (não tinham disponíveis carros das outras duas marcas 😉 ). Agora sim. Carro italiano nas mãos, tudo pronto para começar.

Nem sequer pensei muito em Pisa, nem numa fotografia artística junto à sua torre com uma ligeira inclinação. Não estava nos planos. O meu desejo toscano era outro e só tinha 4 dias, fica para uma próxima, sem grande pena. Era tempo de seguir viagem no “meu” Fiat italiano. Para onde? Para a cidade com maior envergadura da região: Florença. “Como vai ser? Como vou reagir a ver isto ou aquilo?” Perguntas que me pairavam na cabeça durante a viagem de 80km entre Pisa e Florença e, de uma maneira geral, sempre que vou conhecer um destino novo.

Confesso que a ideia da Toscânia, região de vinho e de pequenas aldeias perdidas entre pequenos montes, me agradava mais que a ideia mais cosmopolita da Toscânia, ligada à sua maior cidade, Florença. Isto, apesar de um dos meus ídolos de infância (mais de adolescência e de primeiros anos de adulto 😉 ) e, um dos poucos que não era jogador de futebol ;), ser o Leonardo da Vinci (para mim, uma das pessoas mais geniais de todos os tempos), que nasceu perto de Florença e que por lá começou a “carreira”. É claro que este ponto também me causava alguns formigueiros na barriga.

Uma vez chegado a Florença e, deixando a imagética para trás, foi, para mim, impossível não ficar rendido de imediato. Nem consigo dizer se foi: pela arquitetura medieval, tão bem preservada e valorizada (exemplo!!); se pelo rio que tão bem liga com a cidade; se pela relação e legado com o passado artístico, Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Donatello, Rafael (não, não são as Tartarugas Ninja), entre outros “famosos” (Dante, Botticelli ou Maquiavel…estava aqui até amanhã de manhã, muita gente talentosa nos deu esta cidade)  que por lá nasceram, cresceram e criaram; se por ter sido a cidade dos Médici (que foi uma das mais importantes famílias de Itália e, dada a importância de Itália/Roma do passado, consequentemente uma das mais importantes do Mundo (a família Médici teve, para terem uma ideia, 4 papas e 2 rainhas de França, entre outros casos de “sucesso”); se pelo Rui Costa ter jogado na Fiorentina 🙂 . Não consigo dizer se foi por uma destas razões ou por todas elas (acho que é por aqui 🙂 ), ou se por alguma outra que falta aqui. A verdade é que me rendi de imediato a Florença e rapidamente me senti confortável por lá.

Não vou ser muito original, sobre o que mais gostei em Florença, porque normalmente é o mesmo que mais gosto em outros lugares diferentes do meu (Portugal) e diferentes entre si, que é, nem que seja por um bocadinho, sentir-me, neste caso, como uma pessoa que vive em Florença. Para mim o segredo é esse, disfarçarmo-nos de locais e deixar o barco andar. Passear pelas ruas de Florença, descansadinho e sem saber bem para onde ir, para mim, é o melhor. Mas dito isto, não devem ser totalmente radicais, a Catedral de Santa Maria del Fiore, a Ponte Vecchio e Galeria Uffizi (os pontos mais turísticos lá do sitio) , devem e merecem ser visitados e admirados, por mais turísticas que sejam. 

A segurança, ou melhor, sentirmo-nos seguros, dá algum conforto em ambientes urbanos (ainda para mais no momento hostil em que o nosso Mundo vive). No centro de Florença (Património Mundial da UNESCO), nunca tive de ligar o meu botão interno de “alerta”, super tranquilo, a qualquer hora, sempre com as ruas cheias de gente (com um ar bastante saudável). Os passeios (a pé, esqueçam o carro em Florença), oscilam entre as apertadas ruas do Centro, entre as inúmeras torres e edifícios cor de terra, onde mal dá para ver o céu e, um passeio desafogado e bastante agradável junto ao rio Arno (fotos a partir das pontes, ou fotos das pontes, ficam sempre bem). Outro ponto obrigatório é subir a um terraza, ou seja, a um terraço, seja num hotel ou num outro edifício e, contemplar Florença numa perspectiva de cima para baixo. Quando o fizerem, vão perceber de imediato, o porquê de eu estar a qualificar esse momento como especial.

Só falhou a Fiorentina não jogar nos dias em que lá estive. Das melhores experiências “like a local” que se pode ter, independente de se gostar muito ou pouco de futebol (como eu gosto muito, iria ser para mim duplo prazer, já a Liliana quase de certeza que iria passar o tempo a observar o movimentos dos locais, não dos jogadores locais, mas dos locais da bancada, o futebol é coisa que não lhe assiste 😉 ). Fica para a próxima.

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Como o tema e objetivo da viagem não era Florença, mas sim a Toscânia, era tempo de descobrir o que existe para Sul de Florença (e dar uso ao Fiat italiano). Siena, mereceu a honra de ser a segunda descoberta toscana (apesar de ser a segunda, foi o ponto mais a Sul onde estivemos). Tal como Florença o seu centro histórico é Património Mundial da UNESCO e, tal como Florença, visitar Siena, é como fazer uma viagem ao passado. Uma cidade medieval, super bem conservada, que facilmente nos transporta (para sonhadores como eu) para outros tempos. Um bom par de vezes, que imaginei (ou vi) como seria no passado.

Tivemos imenso azar no dia da visita a Siena (chovia como se não existisse amanhã). Viajar no Inverno tem coisas boas e coisas más. Calhou-nos duas coisas más, ligadas a viagens invernais, frio desagradável para quem quer andar na rua e chuva que nos fez sair de lá, tal como um pingo de água (Siena fica-nos a dever melhor tempo, na próxima visita 😉 ).

O ponto turístico mais forte de Siena, para além do seu todo (o centro histórico como uma única peça), é a Piazza del Campo, uma praça enorme bem no centro, do centro (perceberam?) de Siena. Confesso que corri para lá, para a tal piazza, primeiro porque estava a chover muito 🙂 e depois porque o meu imaginário de Siena, num momento ante-viagem, foi completamente preenchido pelo Palio de Siena, uma corrida de cavalos à antiga que se realiza na praça (cliquem aqui para ver o que é). É claro que sabia que não iria apanhar o Palio, que só se realiza 2 vezes por ano, lá mais para o Verão. Espero que o tempo do regresso coincida com o Palio 😉 .

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Conhecidas as duas mais importantes cidades toscanas, era tempo de conhecer o lado mais rural da Toscânia. Pequenas vilas acasteladas e paisagens vinícolas, eram o prato seguinte.

Das inúmeras vilas medievais, que por lá existem (acreditem, existem muitas e muito bonitas), uma mereceu uma visita mais cuidada (e com mais tempo dedicado): San Gimignano. Uma das mais conhecidas (Património Mundial da UNESCO) e também, uma das mais turísticas (acho que no verão é tipo Algarve, sem praia 😉 ). É famosa pelas suas torres (tem cerca de 50 casas-torre!!), que permitem reconhecer (na verdade, começamos a ver) San Gimignano muito antes de lá chegar já que se vislumbram a quilómetros de distância. Algumas das mais belas (e emblemáticas) fotos de San Gimignano são panorâmicas, da aldeia e das suas torres, tiradas muito longe da aldeia. Mas o interior também é muito bonito.

Confesso que o meu imaginário da Toscânia era (e ainda é) muito sensorial, mais do que arquitetura e paisagem, era comida e bebida (vinho 😉 ). San Gimignano, apesar de ser a terra da Vernaccia (um casta de branco), não é das regiões mais fortes, dentro da Toscânia, para comer e beber. Mas, curiosamente é um dos principais culpados (San Gimignano) por esse meu imaginário. Confesso-me fã do MasterChef Australia (não é muito original, muito boa gente também é) e, há uns anos atrás fizeram um programa especial precisamente em San Gimignano. Cheia de comida italiana, mais bonita que muitos quadros bonitos. San Gimignano ficou registado desde logo (nesse dia o meu cérebro registou na sua lista de tarefas: ir lá! (check)).  Apenas comemos (e bebemos) uma refeição rápida numa esplanada da vila, muito aquém do nível do MasterChef (calma, que não foi mau, foi bom!). Apesar da fasquia (MasterChef) estar (bastante) alta, San Gimignano cumpriu e não desiludiu. É realmente um lugar especial que merece a visita.

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A região da Toscânia é uma das mais conhecidas no mundo dos vinhos, uma das 10 Capitais do Mundo dos Vinhos. O Chianti produzido na Toscânia é provavelmente (digo isto, porque não quero ter um italiano, produtor de outro vinho, à perna 😉 ) o seu mais emblemático produto. Sendo, também, um dos vinhos mais famosos do Mundo. O Chianti assume algumas variações, de região para região, sendo o Chianti Clássico (tinto) um dos mais famosos, dentro do universo Chianti. Foi precisamente na zona do Chianti Clássico por onde andei, entre Florença e Siena, facilmente identificada, porque quase todas as aldeias/vilas se chamam Chianti qualquer coisa…Greve in Chianti, Gaiole in Chianti, Radda in Chianti, Castellina in Chianti 😉 e por aí fora, existem mais umas quantas. Várias vezes escrevo (e digo) que: “quando estou em viagem e me sinto casa, é porque a coisa está a correr bem”, o símbolo do Chianti Clássico deu uma ajuda neste ponto, é um galo negro, muitíssimo parecido com o símbolo do “nosso” Azeite Gallo. Como existe uma fábrica Azeito Gallo na minha terra, o símbolo do galo faz parte da família. Pesquisei por uma possível relação, entre azeite português e vinho italiano, sem sucesso. Mas ainda não estou convencido, ainda acho que existe uma relação qualquer 😉 .  

Nesta região, de colinas atrás de colinas (esqueçam a região (plana) de vinhos do Alentejo, tudo muito “acidentado”), a vinha é absolutamente rainha do pedaço. E aqui preenchi o meu imaginário da Toscânia, vinhas atrás de vinhas, adegas atrás de adegas, quintas atrás de quintas (muito bonitas, quase sempre em pedra). Não deve demorar mais de 5 minutos até encontrarem uma placa para prova de vinhos, visita a adegas, compra de vinho. Tudo aqui é vinho! E, para além disto tudo, o vinho é realmente bom! 😉 Aqui também confirmei uma velha máxima, utilizada em outras “guerras”, beber um vinho Chianti na região do Chianti, é diferente de beber um Chianti noutro lado qualquer.

E quando pensava que já tinha visto tudo (paisagisticamente falando), dou por mim, a ver uma paisagem de colinas “pintadas” com vinhas, com quintas forradas de pedra e, no fundo, mais ainda no mesmo quadro, um montanha carregada de neve (sinceramente, ainda percebi de que montanha se tratava). Epá, lindíssimo! É esta a imagem trago da Toscânia. É esta a imagem que me vem à cabeça, cada vez que penso na Toscânia, depois de lá ter ido.

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O QUE COMER


Itália? Toscânia? Massas e pastas?! Não! Carne de vaca! 🙂 Esqueçam spaghetti alla carbonara e pizzas quatro estações. Na Toscânia, a Bisteca é a rainha! 

É claro que podem comer massas, mas aqui o prato tradicional é um naco (normalmente gigante) de carne de vaca, chamado Bisteca. Quase todos os restaurantes da região têm este prato, que normalmente é vendido ao kg. Eu (nós) tive a minha experiência Bisteca na L’Osteria Di Giovanni, Florença. E correu muito bem, restaurante pequeno, conhecido pela boa Bisteca e maioritariamente frequentado por italianos, o que me parece um bom atestado de qualidade. Acompanhei a Bisteca, ou melhor, comi antes da Bisteca, uma sopa, também muito famosa na região, chamada Ribolita, muito parecido com a nossa Couves com Feijão, mas com o aditivo de pão e courgette. Bom material. Mas peçam pouca sopa se vão comer uma Bisteca a seguir. Provavelmente não vai caber tudo 😉 .

Existem bons restaurantes em Florença e na Toscânia embora, fora de Florença, incluíndo aqui Siena, muitos restaurantes estejam fechados no Inverno. Mas preparem a carteira, porque aqui o bom, normalmente é caro. Nos restaurantes: Ristorante Ora d’Aria, L’Osteria di Giovanni Hostaria Il Desco e Enoteca Pitti Gola e Cantina, todos em Florença, a coisa vai correr bem de certeza.

Como cavalheiro que sou, dei o destaque merecido à Bisteca, tratando-a como rainha. Mas tal como em todos os contos, aqui também existe um rei. O rei é o javali. Em muitos menus, irão encontrar o Cingalle em destaque. Eu não provei, confesso que não faz muito o meu estilo. Para quem tem uma relação pacifica com o pratos de javali português, não pode sair de lá sem testar a versão toscana.

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ONDE DORMIR


Antica Torre di Via Tornabuoni 1. – O hotel onde ficámos na primeira noite na Toscânia. Fica bem no centro de Florença, junto à Ponte de Santa Trinita, a cerca de 200m da Ponte Vecchio, cerca de 300m da Galeria Uffizi e cerca de 500m da Catedral de Santa Maria del Fiore. Mais bem localizado que isto é difícil. 

A construção do edifício, onde hoje está o hotel, remonta ao longínquo ano de 1300. Apresenta um estado de conservação (claro que com uma boa dose de restauro) incrível. Mas, edifícios com história e com bom aspecto é normal por estas bandas (louvadas sejam as políticas de planeamento urbano florentinas). Voltando ao hotel, se por um lado, fazemos uma viagem ao passado, ao visualizarmos a Torre (sim, o hotel é uma torre!) por fora, por outro, por dentro temos todo o conforto do presente (e internet a todo gás 😉 ).  

Mas o grande prémio deste hotel (aqui, pode aplicar-se desta Torre) vai para as vistas sobre Florença de quase todas as janelas por onde os nossos olhos passam. Da varanda do nosso quarto tínhamos uma vista incrível para o Duomo da Catedral de Florença. Não fosse Inverno e se no Inverno não fizesse um frio dos diabos, certamente que passaria horas a admirar a noite de Florença. No Terraço (no último piso) mais uma vista incrível, provavelmente das melhores vistas que Florença pode oferecer sobre o rio Arno e as suas belíssimas pontes.

Outro ponto importante, o pequeno almoço é muito bom.

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Palazzo Magnani Feroni – Mais uma boa opção no centro de Florença, fica a cerca de 500m do Antica Torre di Via Tornabuoni 1, na margem oposta do rio, mas ainda dentro do Centro Histórico da cidade. Margem igualmente bonita e menos turística (menos turística, apesar de gostar de ser turista (gosto mais que me chamem de viajante 😉 ), é ponto positivo, para mim). Foi o hotel onde fiquei na segunda noite em Florença.

Bem, dormir no Palazzo Magnani Feroni (daqui para a frente vou “tratá-lo” por Palazzo) é muito mais do dormir num (bom) hotel. É dormir num palácio (sem exageros). Se do lado de fora, quem lança o olhar para o Palazzo, não imagina o que esta por dentro, quem coloca os olhos dentro do Palazzo, faz automaticamente uma viagem ao passado, mas em grande estilo. Um jardim no centro do Palazzo, um elevador a lembrar os filmes Noir (em madeira, com um banco de veludo), corredores a lembrar museus de arte clássica, candeeiros iguais aos dos filmes da Marie Antoinette e, esta é a parte mais forte, um quarto com quase 100m2 e com paredes com quase 4m de altura (sem exageros), com sala de estar, duas casas de banho, lareira, mesa para refeições, enfim, foi pena ficar apenas uma noite, porque dava para viver lá 😉 . Tudo isto aliado, a um muito bom e cuidado serviço. Mais do que simplesmente dormir e levantar no outro dia para visitar Florença, ficar neste Palazzo, eleva a experiência para outro nível.

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Villa Agape – Hotel onde ficámos na terceira noite toscana, fica a cerca de 3km (a pé) do centro de Florença. Fica numa colina, com uma vista fabulosa sobre Florença. Anteriormente chamada de Villa Arrighetti, construída em 1469, foi casa de Duques e Duquesas, até ao ano de 1968, sendo a Duquesa Anne D’Orléans, curiosamente, parente do “nosso” Duque de Bragança (o Mundo é um lugar pequeno 🙂 ), a última nobre proprietária do espaço.

O edifício é bonito, mas fica completamente ofuscado com belo jardim que possuí. Mais uma vez, digno de filme. Ao bom estilo renascentista (e não fosse Florença o berço do Renascentismo), flores, árvores, fontes, tudo cuidadosamente alinhado, fez-me (mais uma vez) fazer viagens ao passado no interior da minha cabeça. Apesar de eu ser um sonhador, com bastante imaginação (daqueles que voam sem assas), é bastante fácil viajar (mesmo para os não sonhadores) com um cenário destes.

Este hotel é uma excelente opção para quem viaja de carro, aqui o estacionamento não é problema. Para quem gostar de caminhar, é uma caminhada bonita até ao centro de Florença, com passagem na praça Michaelangelo, que oferece das melhores vistas sobre a cidade. Para quem não gosta de andar, eles têm uma carrinha a fazer um vai e vem constante, entre o hotel e o centro.

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Borgo Casa al Vento – Chianti, Chianti Clássico, vinho, vinha, Gaiole di Chianti….Borgo Casa al Vento. Esta associação de palavras, serve para dizer que este hotel (equivalente aos nossos Turismo Rural), fica em Gaiole di Chianti, no interior da região do Chianti Clássico, região do mais conhecido vinho italiano e, não conseguem adivinhar o que este hotel faz para além de bem receber pessoas? Fácil! Faz vinho. O tal do Chianti Clássico.

Mais até que um Turismo em Espaço Rural, é um Agroturismo, é uma quinta de vinhos que recebe pessoas. Assim que chegamos somos recebidos a falar português, por uma italiana (que já viveu em Portugal), que trabalha no hotel. Sentir em casa? Check! 😉 

Talvez pela ligação ao vinho ser forte por aqui, talvez pelo facto de o hotel fazer vinho e associar a isso uma tradição familiar ou, talvez porque as pessoas são mesmo assim sente-se uma enorme paixão pelas suas terras, pelo vinho, pela sua casa, pela sua cultura. Como eu, com a minha terra, com o meu vinho, casa, com a minha cultura, sou igual, falo com o coração ao pé da boca, senti uma empatia enorme com este espaço, mas sobretudo com esta gente. Era isto que esperava encontrar numa Toscânia terra de vinhos e fiquei muito feliz por ter conseguido.

Mais do que ficar num quarto (neste caso casa) de hotel, senti-me como se tivesse chegado a casa de amigos. E quando isso acontece, para mim, é perfeito.

Bebemos do tal Chianti Clássico, produção da Casa al Vento (bom material!), relaxámos com um banho de vinho (sim, um banho de vinho!), passeamos pelas vinhas, falámos das diferenças entre vinhos dos dois países e, pela primeira vez nesta viagem, chamei as pessoas pelos seus nomes (gosto muito e torna a coisa mais real), o Francesco Gioffreda (dono), a Beatrice (recepção) e o Francesco Villa (enólogo). No final do dia, no recolher ao quarto, adormecer com a lareira acessa (um ponto positivo por viajar no Inverno, não dá para fazer no Verão) e com silêncio campestre do lado fora e, depois acordar, espreguiçar na rua e sentir o cheiro da terra molhada, fez-me sentir bem na Toscânia e, até mais do que isso fez-me sentir a Toscânia. 

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COMO CHEGAR


Existem duas “portas” de entrada para esta região (por avião). O aeroporto de Florença e o aeroporto de Pisa. O aeroporto de Pisa foi a minha escolha. No momento da minha viagem não existiam voos diretos para Florença e, para Pisa, existia um voo direto a partir de Lisboa, pela Ryanair (com preço arredondado de 50€ pessoa/viagem). A escolha ficou bastante facilitada. 

Não estava nos planos conhecer Pisa, como já disse, até porque chegámos ao final da tarde, e o objetivo era chegar o mais rápido possível a Florença, principal cidade da Toscânia. Aqui tinha 3 hipóteses: alugava um carro, autocarro shuttle ou comboio. Como a ideia era conhecer um pouco a região, só existiu uma hipótese, alugar carro (desde, 20€/dia) diretamente no aeroporto e entrega-lo na partida. 

Neste caso, alugar carro, tem um grande ponto a favor, a mobilidade fica facilitada, só dependemos de nós e definimos os nossos horários, por outro lado, neste caso, tem também um grande ponto contra, como ficamos hospedados nos primeiros 2 dias no centro de Florença e dedicamos esses dias em exclusivo a Florença, o carro para além de inútil, era um problema. A circulação no centro da cidade é bastante limitada e o estacionamento é impossível e, quando digo impossível, não quero dizer difícil, quero dizer impossível, os poucos lugares que existem estão destinados a moradores. E onde deixamos o carro? Tivemos de recorrer a Valet Parking, chegávamos ao Hotel, deixamos a chave e vinha um senhor recolher o carro e estacioná-lo, penso eu, fora do centro da cidade. Isto tinha um custo de 30€/dia, ou seja, mais caro que o aluguer do carro/dia. Portanto, se o vosso objetivo é unicamente Florença, esqueçam o carro. Se desejam, conhecer mais da região, carro é a melhor opção, mas talvez optem por alugar em Florença, depois de conhecerem Florença.

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