É caso para dizer, eu viajo a pé, sei do que falo (escrevo).

#VAI DESEJAR NÃO VOLTAR DA VIAGEM

E isto pode ser um problema dos grandes. Principalmente se tiver não tiver um escritório lá fora (piada 🙂 ) e tiver um trabalho à sua espera. A sua família pode sempre ir viajar consigo, mas o trabalho não. Vai conhecer lugares fabulosos e passar por eles bem devagarinho, muitas vezes dá para tocar e cheirar. Acreditem, já me deu (2 ou 3 vezes) vontade de ficar por lá.

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#VAI CONHECER PESSOAS EXTRAORDINÁRIAS (e provavelmente fazer amigos para a vida)

Aqui aplica-se a todo o tipo de viajantes (ou personalidades). Se for alérgico a pessoas e pensar que apenas existem pessoas más, normalmente quem viaja a pé é simpático e tem sempre uma história (provavelmente da viagem anterior) boa para contar. Poderá deixar de ser alérgico a pessoas, poderá começar a ver o Mundo como um lugar bom para viver e isso pode alterar os seus planos, de que “em Marte é que é bom!”. Se for uma pessoa que gosta de pessoas e é simpática por natureza (logo, tem uma tendência natural para fazer novos amigos), normalmente, no final de cada viagem, cada um segue para sua casa. Vai separar-se de alguns dos seus melhores amigos, com quem viveu aventuras dignas do Indiana Jones. Pode partir qualquer coração (vai fazer novos amigos, muito porreiros, em todas as viagens a pé, aconselho um bom cardiologista). 

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#VAI DESCOBRIR QUE SOFRER (um bocadinho) AFINAL É BOM

Bolhas nos pés, dores nas costas (normalmente a malta que viaja a pé leva uma mochila nas costas, para que saibam ao que vão) e músculos em brasa com vontade de rasgar a pele, vão passar a ser elementos fundamentais nas suas viagens. Se algum dia chegar ao final de uma viagem a pé, sem estes três elementos (de sofrimento puro), vai pensar “mas o que é que eu andei aqui a fazer, se era para ser assim, tinha vindo de carro!”. Nós humanos, somos estranhos, também vai perceber isso e, pode não ser bom.

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#VAI DESCOBRIR QUE A SUA TERRA (afinal) NÃO É A MAIS BONITA DO MUNDO

A minha terra é sempre a que eu gosto mais, mas pode não ser, objetivamente, a mais bonita. Vai conhecer lugares lindíssimos e ter tempo para os observar bem (quem viaja de carro, às vezes vai muito depressa e não dá para ver bem). Pode sentir uma vontade imensa de não voltar à sua terra natal e, pior, pode querer ser de várias terras bonitas ao mesmo tempo e torna-se viajante a tempo inteiro. Isso então, era uma tragédia. 

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#VAI FICAR A CONHECER-SE (muito) MELHOR

Quem viaja a pé passa muito tempo consigo, o que pode parecer estranho, mas de outras formas pode ser quase impossível estar consigo próprio e ter tempo pensar só em si (sem parecer egoísta, aos olhos da nossa terrível sociedade). Por isso, para quem gosta do aleatório e de andar sempre a sofrer, porque não sabe se gosta mais de carne ou de peixe, ou se passou a vida a sonhar a ser bombeiro, mas afinal é advogado, mas depois de viajar a pé, descobre que afinal poderia ser muito mais feliz a ser bombeiro e, pior, que ainda vai a tempo de ser um bombeiro feliz. Pode ser dramático.

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#VAI DESCOBRIR QUE O TEMPO (afinal) PODE PASSAR DEVAGAR

Principalmente se for de uma grande cidade, quando voltar da viagem a pé, vai querer trocar de “relógio”. Para um igual ao da viagem a pé. Garanto que as horas passam a minutos, na viagem a pé. Voltar de uma viagem a pé para a rotina do trabalho, é muito pior que qualquer jet lag provocado por uma viagem de avião para um qualquer destino longínquo. 

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#VAI COMEÇAR A DAR VALOR A PEQUENAS COISAS DA VIDA (que lhe vão parecer grandes luxos)

Quando estiver na viagem a pé, poderá pensar “porque gastei o meu dinheiro todo num carro!?” e poderá começar a acreditar que a história de o amor e uma cabana, afinal, tem perspectivas que são verdadeiras. Este mix de sentimentos pode baralhar a sua cabeça por completo. Pode começar a ajudar mais o próximo, dar mais atenção (e tempo) a quem gosta de nós, enfim, até o pode levar a tornar-se um gajo(a) porreiro. Pode ser traumático e sem volta. 

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#VAI DEIXAR DE MARCAR FÉRIAS (só) NO VERÃO

Vai descobrir que (afinal) o Outono, o Inverno e principalmente a Primavera, são alturas muito porreiras para viajar (e também para se, simplesmente, viver). Vai deixar de dizer “no Verão é que é!”. Até pode ser levado ao extremo, de não marcar férias no Verão. Isso vai contra tudo o diz a sociedade e pode começar ser visto como alguém “diferente” ou até mesmo doente.

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#VAI (começar a) ACREDITAR QUE NÃO EXISTEM IMPOSSÍVEIS

Fazer um viagem de 250km a pé? Muitos irão responder “impossível!” e outros “não fiz mal a ninguém!” e, outros, quando sabem que vais (viajar a pé) gostam de mandar a boquinha “é promessa?”. Enfim, a globalidade teme o desconhecido e acha que não vai ser capaz ou pior, acha que não vai gostar. Se fizer a tal viajar a pé (e conseguir lá chegar a andar, às vezes a malta abusa 🙂 ), vai pensar “se eu consegui fazer isto, consigo fazer qualquer coisa” e, isso, meus amigos, não é verdade. Vai sentir-se como um super herói (a sensação é boa, já experimentei), mas, na verdade, eles não existem.  

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#NÃO VAI PARAR DE PLANEAR NOVAS VIAGENS (e provavelmente não vai parar de falar nisso)

E depois é isto. Pode acordar durante a noite todo suado, após acordar de um pesadelo onde ia numa viagem de autocarro à Nazaré em Agosto (nada contra a Nazaré, gosto muito de ir lá comer um arroz de marisco). Vai andar sempre a pensar na próxima viagem, vai andar sempre a falar disso e, poderá tornar-se chato.

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